Estou cansado. A casa não é mais acolhedora e os problemas se repetem. A casa, o melhor lugar do mundo, perdeu o silêncio que era a sua melhor voz. A casa que era o templo de nossos segredos deixou que o mundo penetrasse nela e todo o encanto desaparecesse.
Meu mundo é pequeno demais e não estou preparado para compartilhar quase nada. Ou talvez tenha compartilhado demais e o que sobrou foi um “eu vazio”, despedaçado.
E o mundo dos outros, escondido entre paredes de concreto, no qual a criança grita, o homem esbraveja e a mulher chora? Não, não deve ser melhor do que o meu.
Lá fora há dor e fome, pedintes com placas de arrepiar: “estou com fome, me ajude”, crianças maltrapilhas, vendendo bombons. Se compararmos com nossos filhos vemos uma diferença que entristece. Eles seguramente não sabem o que é isso, nunca perceberam que o estômago fala e a alma grita.
Mas se a casa deixou de ser acolhedora, qual o sentido de voltar? Não é melhor sentar à beira de um barranco e olhar o sol se pôr, depois caminhar, caminhar até ser devorado pela noite?
Desculpem, tinha que escrever a coluna e o que mais sobressairam foram os conflitos do coração…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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