A imprensa - seja ela digital ou não - deve ter o cuidado para não se tornar porta-voz de uma organização criminosa. O espaço dado as manifestações atribuídas ao CV - que segundo comunicado amplamente divulgado por blogs vingaria a morte do estudante Melquisedeque Santos do Vale, cruelmente assassinado dentro de um ônibus em Manaus na noite de ontem - coloca o crime organizado num patamar muito elevado, onde só cabe a Justiça Criminal (como guarda-chuva que garante a segurança pública e aplicação das leis), inclusos aí a Policia, o Ministério Público e o Judiciário.
Esses comunicados divulgados por sites acabam conferindo caráter institucional ao Comando Vermelho, legitimando suas ações criminosas, conferindo-lhe, inadvertidamente, a aplicação de penalidades que é prerrogativa do Judiciário.
Ao divulgar “notas” atribuídas ao crime organizado, os blogs não estão fazendo outra coisa senão autenticando ameaças de terrorismo e barbárie.
Isso é grave porque a sociedade, que é violenta, quer respostas que a Polícia não pode dar instantaneamente, que o Sistema Judicial não pode dar de uma hora para outra.
Ajudaria muito estimular a crença no Sistema Penal, ajudaria muito banir esse tipo de organização que se infiltra na sociedade e tenta ganhar sua confiança com promessas de uma falsa justiça que apenas encobre terror e matança.
Os blogs - que chegam mais rápido a um público sem acesso a outros meios de comunicação, utilizando aplicativos de celular e redes sociais - têm uma grande responsabilidade nessa tarefa e um papel que não pode nem deve ser invertido como agora.
O crime organizado não deve ser estimulado a “fazer justiça" e precisa ser impedido de todas as formas de instaurar o caos, escolhendo quem vive e quem morre.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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