Vão dizer que é censura, mas coube o reparo. A decisão do TRE-AM de impedir a divulgação de pesquisa eleitoral sem detalhamento sobre os entrevistados por um instituto do Rio Grande do Sul é pertinente. Preserva o processo eleitoral de aventureiros e permite que a disputa ocorra sem manipulações.
Não se trata de censura, mas de uma exigência básica: que a pesquisa seja feita respeitando regras estabelecidas - o que não ocorreu no caso do levantamento feito pela Listening Inteligência em Análise de Dados Estratégia e Comunicação Ltda.
Para além do interesse em saber qual candidato a pesquisa injetou anabolizante, é importante valorar uma ferramenta que orienta estratégias de campanha, mesmo quando é desfavorável a um ou outro candidato.
Pesquisa é um mecanismo que, se conduzido com ética, seriedade, acaba beneficiando os diversos candidatos, na medida em que consegue fotografar o sentimento dos eleitores. Muitos que aparecem atrás reorganizam as estratégias de campanha e acabam assumindo a liderança.
Infelizmente tem sido utilizada, em muitos casos, para anabolizar nomes ou fixar no eleitorado a ideia de que aquele candidato tem lastro e com ele não há como perder o voto. O eleitor mediano pensa assim: vota em quem ouviu falar que “vai ganhar”, não nos que têm as melhores propostas, as melhores ideias. E em uma democracia, o que vale são as ideias, as propostas.
Quando as pesquisas seguem esse caminho, estão ajudando a fortalecer todo o sistema, cujo pilar é a política.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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