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O assassinato de Martiniano, em 7 de abril do ano passado, poucas horas antes de ser ouvido pelo procurador João Bosco Valente, que se interessou pelo caso - pode ter livrado muita gente graúda do constrangimento de ter o nome citado, mas não enterrou as suspeitas de que a máquina pública serviu a uma organização criminosa, ou que o judiciário - como alegou o criminoso num contundente depoimento - se curvou ao poder do dinheiro: "Quem tem dinheiro, tem a Justiça na mão", disse ele.
INVESTIGAR É PRECISO
Se é para levar ao pé da letra o que disse um criminoso confesso, então cabe investigar todos os nomes citados por ele - e não apenas o do promotor Cândido Honório. Cabe ao Judiciário dizer que não é, não foi e não será movido pelo dinheiro. Cabe à polícia do Amazonas abrir para o público a sindicância que teria iniciado para apurar quais eram e o que faziam na suposta organização criminosa os militares que ajudaram Martiniano a empreender fuga em uma lancha da PM, ou os policiais civis que o assessoravam e lhe davam proteção, também citados nominalmente. Cabe ao Ministério Público esclarecer por que o depoimento de Martiniano, feito à justiça acreana, em 19 de novembro de 2008 e com cópia para a Procuradoria Geral de Justiça do Amazonas, ficou, segundo denúncias, trancado por mais de três meses na gaveta do ex-procurador Otávio Gomes - o que teria impedido uma investigação mais eficaz. Agora como um novo procurador, é possível que muitas dúvidas sobre este rumoroso caso sejam esclarecidas. É o que se espera...
O PREÇO DA AMBULÂNCIA
A assistência à saúde bucal parece que está sendo levada muito a sério na Semsa: só para contratar transporte especializado, isto é, unidades devidamente equipadas para atendimento odontológico, a secretaria fechou contrato no valor de R$ 1,744 milhão para prover essa demanda. Quem vai levar a bolada do contrato é a Truckvan Indústria e Comércio Ltda. Resta saber aonde esses veículos vão prestar assistência, porque vê-los nas ruas é meio difícil.
GASTOS DE CAMPANHA
A soma de recursos para a campanha presidencial dos dois candidatos que estão na disputa do segundo turno atinge R$ 371 milhões. Deste montante, a candidata do establisment, Dilma Roussef (PT) declarou teto de R$ 191 milhões e José Serra (PSDB) fixou o limite em R$ 180 milhões. A conta poderia ser menor se a disputa tivesse encerrada no primeiro turno.
DISCURSOS OCIOSOS
Os petistas e apoiadores de Dilma Rousseff têm tachado José Serra de pertencer à direita. É possível que a falta de leitura e comparação dos compromissos que os estatutos das duas agremiações assumem seja a causa desta confusão ideológica. A observação, simplista, cai quando se vê que o filho do presidente Lula ficou milionário sob o escudo do business de uma telecom privatizada pelos tucanos. O pessoal da Erenice Guerra, braço direito de Dilma Rousseff, da esquerda, é mais direita do que Serra: faz ‘consultoria’ para ganhar algum: quaisquer R$ 5 milhões servem.
VERDADE OU MENTIRA
No início da noite de ontem, o microblog Twitter foi usado para disseminar mensagem de uma suposta Erenice Guerra. O perfil, que pode ser falso, iniciou os posts dizendo que ia abrir o verbo. Um dos posts dizia o seguinte: “Meu filho roubou sim, mas há outros corruptos no PT que estão soltos e ninguém diz nada.” Outro : “A tampa do esgoto está se abrindo, tem mais sujeira saindo debaixo do tapete da Dilma. Eu quero ver ela caido do salto.” Se o perfil é falso, cabe investigação imediata para determinar o responsável e puni-lo.
PAÇO MUNICIPAL
A restauração do Paço Municipal, que se arrasta desde 2006, e que estava sendo feita pela Pirâmide, foi objeto de rompimento do contrato por parte da prefeitura e de nova licitação que repassou a obra para a Biopá Engenharia. Mas o Ministério da Cultura recomendou outra licitação por considerar os critérios muito rígidos. Como nem o superintendente regional do Iphan, Juliano Valente, sabe como as coisas estão correndo, dá para entender porque a restauração não termina.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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