Manaus/AM - A defesa da médica Juliana Brasil Santos protocolou, nesta terça-feira (24), uma petição junto à 1ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus denunciando o que classifica como "extrema gravidade" na condução do Inquérito Policial nº 3472/2026. Os advogados da investigada solicitam o reconhecimento da suspeição ou o afastamento imediato do Delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, alegando quebra de sigilo funcional e manipulação da opinião pública.
O estopim para a medida foi uma entrevista concedida pela autoridade policial em 23/03/2025, na qual teriam sido expostas informações sensíveis e protegidas por sigilo. Segundo a petição, a imprensa divulgou detalhes de um relatório de extração de dados do celular de Juliana no mesmo dia em que sua irmã prestou depoimento.
A defesa sustenta que o delegado tem apresentado "informações inverídicas e distorcidas", criando uma narrativa pública para influenciar o Tribunal do Júri e desacreditar o sistema de justiça, especialmente após o Judiciário e o Ministério Público não acolherem pedidos de prisão contra a médica.
Um dos pontos centrais da petição é o vídeo que demonstraria falhas no sistema hospitalar TASY (utilizado para prescrições). A autoridade policial afirmou publicamente que Juliana teria "encomendado e pago" por um vídeo adulterado para justificar um erro médico.
Contudo, a defesa rebate essas afirmações com os seguintes argumentos:
Depoimento da Enfermeira: Manuela da Silva Queiroz, citada em mensagens de WhatsApp, afirmou em depoimento oficial que não recebeu valores e não realizou a gravação do sistema
Identificação das autoras: Os advogados identificaram as Dras. Vanessa Mendes e Érika Cartanhede como as responsáveis pela gravação original, realizada no Hospital SAMEL, que utiliza o mesmo software do Hospital Santa Júlia.
Falta de Perícia: A defesa alega que o Delegado classificou o vídeo como "falso" sem que qualquer perícia técnica oficial tenha sido realizada no arquivo.
Diante do que chamam de "quebra do dever de lealdade processual", os advogados de Juliana Brasil Santos requereram o afastamento do delegado da condução do inquérito; a expedição de ofício à Corregedoria da Polícia Civil do Amazonas para apurar o vazamento de dados sigilosos e a realização de perícia técnica rigorosa no vídeo e a entrega do código hash e da cadeia de custódia das provas digitais pela polícia.
A petição é assinada pelo advogado Sérgio Ricardo de Figueiredo Menezes.


