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'Príncipe do Bexiga', Rom Santana parou ruas de São Paulo com shows de piseiro

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando Rom Santana assumiu o microfone para cantar de forma improvisada em uma mercearia de bairro na Bela Vista em 2022, não imaginava que aquilo seria o pontapé de sua carreira como cantor. Agora chamado de "Príncipe do Bexiga", o artista de piseiro conquistou o público da região e virou sensação do gênero.

Nascido na cidade de Iramaia, no interior da Bahia, Romário Silva Ramos ficou conhecido por lá como o "filho de Menezes". Apesar do pai cantarolar informalmente em bares, Rom não planejava seguir no ramo. "Na verdade, queria ser jogador de futebol como todo menino", conta. Mas hoje, aos 31 anos, os planos mudaram.

Ele decidiu vir para São Paulo em 2010, seguindo os passos do irmão, que morava na capital.

A relação com a música se estreitou só em 2018 em um karaokê. Lá, Rom cantou informalmente e recebeu elogios de amigos e do dono do bar. Na noite, interpretou músicas de artistas como Tarcísio do Acordeon, compositor brasileiro de forró, vaquejada e piseiro. Era um sinal.

A partir daí colegas o incentivaram a tentar uma carreira como cantor. "Na época eu publicava vídeos no Facebook que tinham no máximo 20 likes", lembra.

A cantoria até então informal o levou a fazer um show no aniversário de um amigo, na mercearia Bella Doces, no Bexiga. A apresentação trouxe para o baiano mais convites de outros bares da rua Treze de Maio.

Foi aí que ele teve ideia de criar um nome artístico: Rom Santana, referência a Léo Santana, cantor baiano de axé de quem é fã.

Rom viu Léo pela primeira vez quando era adolescente em um show público em Iramaia. "Virei fã quando nem sabia o significado dessa palavra", afirma.

Com o sobrenome do ídolo, Rom passou a reunir pequenas multidões nas calçadas do Bexiga cantando piseiro. Seus fãs, que se entitulam felinos e felinas (já que o baiano é do signo de leão), afirmam que ele traz o clima da Bahia e de músicas do Norte e do Nordeste para São Paulo.

O repertório dos shows inclui hits como "Meu Pedaço de Pecado", de João Gomes, e "Dano Sarrada", de Marina Sena e Japãozin, além da autoral "Teoria", que já tomou o gosto do público. É uma forma de trazer a origem nordestina numa pegada mais atual, segundo Rom.

O sucesso do cantor aumentou tanto que, em junho de 2024, precisou encerrar as tradicionais apresentações nas calçadas que fazia no Bexiga. Não era nem por reclamação de vizinhos: havia tantas pessoas na rua que o movimento atrapalhava o trânsito.

Com a restrição de espaço, Rom tem se dedicado agora a apresentações em bares da Barra Funda e outros espaços fechados. "Mas eu gosto de cantar na rua onde tudo começou", diz.

Divulgada no Instagram, a agenda do cantor para as próximas está agitada. Ele se apresenta neste sábado (15) no Festival Batekoo, com ingressos já esgotados, e na quarta (19), no Espaço Usine. Ele também faz uma parada em Salvador nesta sexta (14) e se prepara o primeiro show no Rio de Janeiro, em novembro.

"Artisticamente eu já estou realizado. O meu sonho era ter um público. Agora gostaria de ter a minha casa própria e de ajudar meus pais na Bahia", diz. "E ainda quero fazer um show no povoado em que nasci."

Afrobaile Yolo + Africanize Party + Everyday People

Espaço Usine - r. Barra Funda, 973, Barra Funda, região oeste. Qua. (19), às 20h. Ingr.: a partir de R$ 70 em Bilheteria Digital

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