No Pará, duas plantas carnívoras recentemente descobertas e descritas pela ciência: a Utricularia ariramba e a Utricularia jaramacaru chamaram a atenção de cientistas. Pequenas e delicadas, as plantas já podem ser consideradas ameaçadas, alertam os cientistas responsáveis pela descoberta, tanto pelo fogo quanto pelo pisoteio dos caminhantes desavisados.
“Depois de coletar essas plantas, nós começamos os estudos no laboratório e no herbário – que é onde ficam as plantas secas e guardadas, como um grande museu de plantas”, conta Rafael Gomes, pesquisador do Museu Emílio Goeldi, que participou da expedição e também assina a descoberta.
As pequenas plantas carnívoras medem entre 4 e 12 centímetros — menores que um lápis –, e foram encontradas ao lado de uma trilha que leva à Cachoeira do Jaramacaru, um atrativo muito visitado na região.
“Esse pisoteio acaba destruindo essas plantas e abrindo caminho para outras espécies invasoras ocuparem esse ambiente e acabam sombreando essas plantas nativas, levando-as a uma extinção local, por exemplo, ou mesmo total”, alerta Paulo Gonella.
“Essa área está sujeita a vários fatores de ameaça como a presença do fogo e de desmatamento nos arredores, que podem impactar a salubridade desse ambiente para ocorrência dessas espécies que ocorrem, até onde a gente sabe, só lá”, ressalta Gonella.
Próximo do local de ocorrência das plantas carnívoras, os pesquisadores registraram pontos de desmatamento ativo e fogo, “sugerindo distúrbios ambientais gerados pela pecuária e outras atividades humanas”, aponta o artigo.
A menos de 1 km de distância das subpopulações de Utricularia ariramba, por exemplo, foi identificada uma grande área afetada por incêndios recentes, o que acendeu o alerta vermelho entre eles para conservação das mais novas espécies da flora brasileira.

