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Presença de pirarucu em rios brasileiros ameaça peixes nativos, alerta pesquisador da Ufam

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Presença de pirarucu em rios brasileiros ameaça peixes nativos, alerta pesquisador da Ufam
Presença de pirarucu em rios brasileiros ameaça peixes nativos, alerta pesquisador da Ufam
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Manaus/AM - A introdução do pirarucu nas bacias de todo o Brasil irá, com toda probabilidade, tornar-se uma das principais fontes de crise da biodiversidade local, com o risco de extinção de populações de peixes nativos raros e endêmicos, aumentando a similaridade biológica de diversas bacias ao longo do tempo, ou seja, homogeneidade.

O alerta é do doutor Carlos Edwar Freitas, professor da Faculdade de Ciências Pesqueiras da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ao comentar a expansão da presença do maior peixe de escamas de água doce do Planeta, o pirarucu (Arapaima gigas).

Só no Brasil, são pelo menos 15 estados nos quais há registro da presença do ‘gigante da Amazônia’, mas o número real é desconhecido.

Há registros da presença do peixe em cerca de 228 cursos de água do mundo, nos quais em 133 foi introduzido ou chegou após escapar de viveiros ou fugir em enchentes, passou a atuar pondo em risco a sustentabilidade dos estoques de peixes nativos, dos quais é predador.

Segundo Carlos, indivíduos de pirarucu foram registrados em 28 países distribuídos nas Américas (Norte, Central e Sul), Europa, África e Ásia, mostrando que está fora de sua área nativa, que é a Amazônia, o que representa ameaça às espécies nativas.

E essa ameaça deve ser evitada a todo custo, principalmente através da população controle do pirarucu invasor, se quisermos manter a sustentabilidade estoques de peixes nativos no Brasil para as gerações futuras.

A introdução da espécie começou em 1979 quando chegou ao Peru e há relatos de fuga após grande enchente em meados da década de 1980, que o fez chegar à Bolívia na década de 1990, país onde há 36 áreas de distribuição do Arapaima.

Carlos explica que a atenção ao pirarucu cresceu nos últimos anos pelo seu valor cultural e econômico entre os povos ribeirinhos da bacia amazônica, o que levou ao desenvolvimento rápido da piscicultura, pois ele tem o crescimento rápido e a capacidade de tolerar condições de baixa qualidade da água, assim como um alto valor de mercado. Como resultado disso, há muitas iniciativas para desenvolver a tecnologia para criar pirarucu em cativeiro.

No Brasil, há 53 áreas de introdução do pirarucu em 15 estados: Roraima, Amapá, Acre, Amazonas, Rondônia, Mato Grasso, Mato Grasso do Sul, Goiás, Pará, Tocantins, Ceará, Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, onde recentemente foi capturado um pirarucu no Rio Itapemirim perto de Cachoeiro de Itapemirim e que pesava cerca de 50 kg.

Ele verificou em levantamento feito inclusive em sites, artigos e relatórios, que 58,3% da criação de pirarucu no Brasil ocorre fora de sua área de ocorrência natural, sendo 27,7% no Nordeste, 26,5% no Sudeste, 2,6% no Sul e 1,7% no Distrito Federal, enquanto 41,7% ocorre em regiões onde é considerado ser nativo, 25,7% no Norte e 16,0% no Centro-Oeste.

No continente europeu, há relatos de seis pirarucu em alguns aquários públicos localizados na Espanha, Alemanha, Suíça, Bielorrússia e Ucrânia, mas ele está também em Taiwan, no continente asiático, onde é muito apreciado por aquaristas e pescadores esportivos. Mas em países onde a temperatura é abaixo de 30º não traz preocupação, pois não tolera baixas temperaturas.

Como a erradicação da espécie invasora é muito difícil, Carlos diz ser fundamental evitar a invasão. Mas depois que ela ocorre, há medidas capazes de minimizar a situação, como a que está ocorrendo em algumas bacias do Sudeste do Brasil, onde há a presença do tucunaré, que é também predador e foi introduzido. “ Lá nesses locais de pesque-pague, quem pesca tucunaré tem que levar para casa, não pode devolvê-lo ao rio”, afirma ele.

Outro fator que é preocupante é a falta de informações sobre até que ponto o pirarucu foi introduzido em todo o Brasil para que se tome medidas necessárias visando minimizar os danos a serem causados às espécies nativas.

Como faltam dados seguros sobre a manutenção dos estoques naturais onde a espécie é nativa e nem sobre a recuperação desses estoques nas unidades de conservação e áreas de manejo, ele afirma ser importante que a atual legislação, que só permite a comercialização de pirarucu capturado em áreas de manejo seja mantida.

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