A fragilidade no sistema prisional no Amazonas é antiga. Em 2003, detentos do regime do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, Unidade Prisional do Puraquequara e Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa prestaram depoimento a uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa do Estado, onde denunciaram “xerifes” que comandavam o crime organizado dentro dos presídios, a entrada de drogas, armas, bebidas, celulares, mulheres e que fugas eram facilitadas. Um capitão da PM, de nome Amadeu, foi acusado de fornecer pasta base de cocaina para os presos. Os xerifes de 10 anos atrás são os mesmos de agora. Numa das celas, havia em 2003 uma destilaria de cachaça.

Também prestaram depoimentos agentes penitenciários que trabalhavam nas unidades prisionais. Eles revelaram que os “xerifes” mandavam, como hoje, nas cadeias e que partiam deles a ordem, via telefone celular, para execuções dentro e fora dos presídios de Manaus.

Os anos passaram e os mesmos problemas continuam: entrada de drogas, armas, bebidas, mulheres (garotas de programas), celulares, facilitação de fugas, festas e rebeliões.
Os problemas narrados nos depoimentos dos detentos a CPI do Sistema Prisional, há 10 anos, são os mesmos de agora. Até os nomes dos “xerifes” que comandam as cadeias em Manaus, não mudaram.
Nos depoimentos os detentos falaram na época os nomes de Gelson Carnaúba, Zé Roberto, apontados hoje como chefes da Família do Norte, organização criminosa que determina quem morre dentro e fora da cadeia. Seriam eles os responsáveis pela execução de Frank Oliveira, o “Frankezinho do 40” e Antônio Uchôa, o “Tonga” que foram retirados do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, onde cumpriam pena no regime semi-aberto e tiveram os corpos esquartejados.

De acordo com um dos depoimentos que o Portal do Holanda, teve acesso, Gelson Carnaúba, que está preso em uma Unidade Prisional Federal, fora de Manaus, é conhecido no sistema como o “Fernandinho Beira Mar”, e que sempre comandou todas as unidades prisionais na capital.
Que tudo que entra nas unidades prisionais, telefones, drogas, bebidas e até facilitação de fugas, ocorre sempre com a colaboração dos policiais militares e agentes, que recebem para fazer vista grossa na revista aos familiares dos “xerifes”, que comandam o crime organizado dentro e fora das cadeias.
Em depoimentos de agentes penitenciários, eles afirmam que as portas das celas dos “xerifes” e dos “soldados” que são responsáveis pelo espancamento de presos que não pagam o pedágio da semana e a droga que consomem, não são fechadas por ordem da direção.

Em um outro depoimento, o agente Evandro Jorge de Souza, afirma ter feitos vários favores a um “xerife”, a época identificado como Eduardão, e que chegou a ser preso quando tentava entrar na unidade prisional com uma rede para o detento e na revista foi flagrado com cerca de 500 gramas de droga e foi levado a Polícia Federal.
Ele afirma ainda que com facilitação das guardas externo e interna dos presídios, várias garotas, pernoitam nas cadeias, onde consomem bebidas alcoólicas.
São os “xerifes” que recebem por semana “pedágios”, pagos pelos familiares de presos, pela segurança dentro das unidades prisionais da capital amazonense. Que os mesmos entram e saem de qualquer cadeia, seja do regime fechado ou semi-aberto, a hora que querem, pois contam com a colaboração dos diretores, agentes e policiais militares.

