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O caso Chibatão e a imprensa

Caríssimo jornalista Holanda,

Acompanho diariamente, com interesse, o seu blog. Pela primeira vez sinto necessidade de entrar em contato com sua coluna para demonstrar toda a minha indignação com o fato ocorrido no porto privatizado Chibatão. Não fosse por sua  coluna, até agora não saberíamos que a obra está ilegal, e que ninguém se preocupa com os dois trabalhadores que provavelmente estão mortos, sob os escombros, e nem com suas famílias que desesperadas aguardam notícias da empresa, em vão. É de se indagar, também, quem são os trabalhadores feridos, como estão passando, se suas famílias estão recebendo algum tipo de auxílio.

Esta carta também tem o objetivo de fazer uma crítica construtiva aos grandes veículos da imprensa local. Procurei e não achei as informações sobre essas questões que estou a relatar. Creio que o jornalismo só cumpre seu objetivo quando promove mudanças. Noticiar os fatos simplesmente, sem exigir que as autoridades tomem as providências necessárias para alterar esse "status quo" não leva a nada. A imprensa deve estar compromissada com a verdade e com a mudança. E não se muda nada quando não se põe as cartas nas mesas.

Válidos, portanto, seus questionamentos sobre a situação das famílias de mortos e feridos. De igual modo, quero felicitá-lo por, ao menos, indagar se a tal obra de ampliação tinha o aval da Prefeitura, do Conselho Regional de Engenharia, enfim, de todos os órgãos que tornam legal uma projeto como esse. Como explicar que o motorista do porto Chibatão estivesse operando uma restroescavadeira para fazer serviço de terraplanagem? Isso é trabalho para a construção civil. A interdição do porto após a tragédia, que leva consigo o bom funcionamento da indústria e do comércio da Zona Franca, é apenas uma questão de segurança, pois a área ainda pode sofrer novos deslizamentos.

Prejuízos para os trabalhadores, desespero para as famílias, indústria e comércio dependentes de materiais e equipamentos que foram parar no fundo do rio merecem muito mais que uma simples notícia. É preciso cobrar responsabilidades. Exige-se que o Governo do Estado, a Prefeitura de Manaus, o Conselho Regional de Engenharia e, principalmente, os proprietários do porto Chibatão venham a público esclarecer tudo o que está "entre nuvens". Esse é o verdadeiro papel da imprensa. Mudar paradigmas, ajudar a sociedade em momentos de crise.

Com justiça, é isso que o seu blog está fazendo. Mas precisamos da união de todos para acabar com toda essa ilegalidade.

Aldiney Prestes da Costa

Manaus - Amazonas

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