O empresário Falb Saraiva de Farias, de 78 anos, apresenta documentos que indicam ser dele mais de 12,7 milhões de hectares de suas propriedades em sete municípios do Amazonas (Canutama, Tapauá, Lábrea, Pauini, Novo Aripuanã, Borba, Apuí) e Jurimágua, no Purus, perto de Santa Rosa, no Acre.
“Meus documentos datam de 1800 e não sei quanto. Quando fui preso, em 2001, fui algemado e levado para a Superintendência da Polícia Federal do Amazonas. Disseram que cometi crimes de grilagem, falsificação de documentos, estelionato e sonegação”, lembrou Farias, ao falar das acusações de ficar rico com a exploração de suas propriedades.
Falb Farias nasceu em Sena Madureira (AC), começou a trabalhar aos 11 anos, estudou até a 7ª série e se tornou regatão - dono de barco que vende e compra produtos de ribeirinhos. Quando chegou a Manaus, ele conheceu a viúva Maria Luisa Hidalgo Lima Barros, herdeira das áreas de terra que se declara dono, em 1972.
“Quando ela herdou tudo, me vendeu uma parte de seringal, parcelado de quatro vezes. Após ela me vender muitas terras, a vida melhorou e ela finalmente comprou uma casa numa área nobre em Manaus. Depois de tudo isso, me ofereceu o ativo e o passivo da firma, em julho de 1981. Hoje, grande parte dos mais de 200 títulos definitivos está legalizada”, relata numa longa entrevista ao Portal Terra/
Ele se define como um ‘magagrileiro’ e afirma que nem o Incra sabe da real quantidade de terras que ele tem. “O órgão dizia que tinha quase 17 milhões, depois 13 milhões, mas tenho é de 6 a 7 milhões de hectares de terra bem documentados”, avaliou.
Farias explica que comprou o espólio de José Cunha e de Vinha da Cunha & Companhia, de quem ele havia se tornado sócio. “Em 1929, por causa de 12 de contos de réis, pediram a falência da empresa. Depois, os sócios pediram em juízo para transformar a falência em concordata, pois Cunha estava disposto a sair para deixar outro sócio. Eram três sócios e um já havia morrido. O juiz abriu vistas aos credores e então foi deliberado que Manoel Figueiredo de Barros, que depois criou a empresa MF Barros, ficasse sozinho. Em 1930, ele recebeu o ativo e o passivo. A cadeia dominial dessas terras vem de 1917”, explicou.
Vanessa Grazziotin
Depois de responder a 50 processos, Farias foi condenado por dois, sendo um a quatro anos e outro a sete anos de prisão.
“A minha punibilidade foi extinta pelo STJ, mas meu nome ficou no Google como sendo de um bandido. Aquele ministro Raul Jugmann e Vanessa Grazziotin envolveram até minha irmã para depor contra mim. Mas foi a Vanessa quem armou tudo. Eu continuo o mesmo e o Jungmann, graças a Deus e ao povo, foi derrotado nas urnas. Não é mais nada”.
Vanessa era deputada na época da CPI da Grilagem e agora é senadora do Amazonas pelo PCdoB. Ela é do mesmo partido do ex-vice prefeito de Rio Branco, o deputado estadual Eduardo Farias, irmão caçula de Falb.
“Meu irmão contou que uma vez chamou a atenção dela. Estavam planejando, durante uma reunião, para reabrir tudo de novo. Queriam voltar com a CPI. ‘Vejam bem o que vocês estão pretendendo’, disse o Eduardo. E a Vanessa perguntou se ele estava se referindo a mim. Ele respondeu que sim. Ora, eu me apresentei espontaneamente para depor na CPI da Grilagem porque nunca tive o que temer. Não me preocupei com o que poderia acontecer. Saí de Porto Alegre, com meu dinheiro, e fui para Manaus depor. Aguardei 20 dias. Percebi que desagradei à CPI da Grilagem quando apareci. Eles esperavam que eu fosse ficar escondido. Fui injustiçado e execrado publicamente”.
Questionado sobre o que sente hoje por Vanessa, Falb foi categórico em dizer que não a perdoou, pois considera criminoso o que ela lhe fez, assim como à sua família.
“Tem gente que para subir na vida é capaz de pisar até na mãe dela. Não teve a menor cerimônia em sacrificar a mim, que nunca lhe fiz nenhum mal. Ela e seu marido, Eron Bezerra, são o pinico e a tampa. Conheço o Eron desde menino em Boca do Acre, no Amazonas, onde ele nasceu. Foi Vanessa que usou minha irmã contra mim. Minha irmã pediu perdão e já perdoei. Mas não dá pra perdoar Vanessa.
Segundo ele, a prisão aconteceu porque a senadora perguntou quantos irmãos eu tinha e o que eu fazia da vida antes. Falb Farias respondeu que, caso ela tivesse uma ‘maquinhinha para anotar’, ele contaria tudo.
Verdadeiros grileiros estão soltos
“Disseram que eu era grileiro, mas os grileiros mesmo estão todos soltos. Estão grilando abertamente, para todo mundo ver. A minha situação hoje é muito difícil por causa da perseguição. O cartorário de Canutama registra terra de todo mundo. Quando se trata de uma área minha, diz que minhas áreas estão todas canceladas. Se eu vendo, ele registra, mas se eu tento registrar não aceita”.
Novo código florestal
Rapaz, acho bom que aconteça. Não tenho interesse de formar fazenda. Existem posseiros dentro de minhas terras, mas vou tirar eles. Foram licenças de ocupação concedidas pelo Incra para aéreas minhas, tituladas. O que quero é preservar, fazer projetos de carbono. O novo Código Florestal vai por ordem na bagunça que existe. O Incra vai perder 80% do poderio e isso é muito bom. Vamos ver se a presidente vai vetar ou não. Mesmo que ela vete, não vai voltar a ser como era antes. Se ela vetar, nunca mais na vida se elegerá nem para vereadora de Canutama. A maioria no Brasil está querendo a mudança. Com o novo Código Florestal o produtor vai ter direito de derrubar mais.

