Manaus/AM - Cinco meses após a comunicação da identificação de grupos isolados de indígenas encontrados em agosto do ano passado, no rio Mamoriá, próximo ao Rio Purus, no município de Lábrea, nenhuma providência foi tomada ainda pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para a proteção daquelas pessoas.
O alerta veio em nota da Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (Focimp), denunciando o que chama de descaso com os indígenas Hi-Merimã.
De acordo com a entidade, que representa 18 povos indígenas, a Funai em Brasília ignora os comunicados e as medidas de proteção solicitadas pela Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Madeira Purus da Funai, após a confirmação de um novo grupo de indígenas isolados no interior da Reserva Extrativista do Médio Purus.
A FPE solicitou, no relatório onde narra a expedição, a instalação de bases de proteção e a restrição de uso do território – medidas que seriam simples e imediatas diante da localização do 29º grupo de isolados, um fato raro e histórico. Os técnicos da Funai interpretaram que os vestígios encontrados na ocasião eram dos Hi-Merimã, povo isolado da região.
“Não houve retorno da Funai e da Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém Contatados (CGIIRC), que também recebeu o documento”, disse a Zé Bajaga Apurinã, coordenador executivo da Focimp.
A entidade, que representa 18 povos indígenas na região da bacia do Rio Purus, no Estado do Amazonas, diz que os parentes vivem em 250 comunidades pelos municípios de Beruri, Tapauá, Itamarati, Canutama, Lábrea, Pauini, Boca do Acre.
“São mais de 50 terras indígenas e 2.300 quilômetros de trecho de Rio Purus no Estado do Amazonas na bacia que abrange os interflúvios Madeira-Purus e Purus-Juruá. Somos Apurinã, Paumari, Jarawara, Jamamadi, Kanamati, Banawá, Madiha Deni, Madiha Kulina, Kanamari, Miranha, Juma, Camadeni, Karipuna, Kaxarari, Desana, Mura e Mamori. Hi Merimã, Katawixi, Suruwahá e isolados do Mamoriá”, cita os indígenas, lamentando que a região tem sido alvo de madeireiros, grileiros, caçadores ilegais e temos resistido e lutado contra grandes empreendimentos que vem invadindo nossos territórios e destruindo nossos rios, lagos, igarapés e colocando nossa existência constantemente em risco.
FUNAI RESPONDE
Em nota divulgada à imprensa, a Fundação Nacional do Índio (Funai) esclareceu, por meio da Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC), tem analisado os relatos sobre a possível existência de um grupo de indígenas isolados, porém somente com a continuidade dos estudos e das ações de monitoramento será possível esclarecer questões voltadas à ocupação da área.
Disse ainda estar promovendo articulação interinstitucional para a construção de um plano de convivência que inclua os ribeirinhos da Reserva Extrativista (RESEX), visando minimizar as tensões na região até que as equipes técnicas do órgão concluam os levantamentos necessários.
E também que promove ações ininterruptas de vigilância e fiscalização por meio de suas 11 Frentes de Proteção Etnoambiental (FPE), descentralizadas em 29 Bases de Proteção Etnoambiental (Bape), localizadas estrategicamente em Terras Indígenas da Amazônia Legal, das quais cinco foram inauguradas e quatro reativadas pela atual gestão da Funai.



