Uma pesquisa recente do projeto Amazônia 2030 revela uma mudança drástica no perfil da criminalidade no Amazonas. O estudo aponta que o avanço de facções criminosas, a disputa por rotas internacionais de tráfico e o controle de territórios estratégicos fizeram disparar os índices de homicídios no interior do estado, que historicamente apresentava números mais baixos.
O levantamento destaca que, desde 2018, o estado rompeu a tendência de segurança esperada para municípios de pequeno porte, acompanhando a onda de violência que atinge a Amazônia Legal. O que antes era uma região de relativa tranquilidade tornou-se um campo de batalha logístico para o crime organizado.
A Nova Configuração do Crime
De acordo com os pesquisadores, a violência no interior não é um fenômeno isolado, mas o resultado de uma "confluência de ilegalidades". As facções não operam apenas com drogas, mas transformaram crimes ambientais em uma nova fronteira de poder:
Atividades Conectadas: O tráfico de cocaína utiliza as mesmas rotas e estruturas do garimpo ilegal, do contrabando de madeira e da grilagem de terras.
Fator de Risco: Municípios que concentram três ou quatro dessas atividades ilegais simultaneamente registram um crescimento muito mais intenso de homicídios.
Logística Fluvial: Os rios amazônicos tornaram-se as principais artérias para o escoamento de ilícitos, transformando comunidades ribeirinhas em pontos vulneráveis de passagem e controle.
Municípios em Alerta Máximo
O relatório identifica cidades que sofrem com o chamado "risco acumulado", onde a presença de múltiplas atividades criminosas potencializa a violência. Entre os municípios mais ameaçados estão:
Lábrea e Canutama (Sul do Amazonas)
São Gabriel da Cachoeira, Japurá e Barcelos (Norte e Alto Rio Negro)
Nestas localidades, a guerra entre facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) — que disputam o vácuo deixado por grupos locais extintos — dita o ritmo da insegurança pública.
Apesar da gravidade do cenário desenhado pelo estudo "Padrões de Violência na Amazônia Brasileira", as autoridades de segurança ainda enfrentam dificuldades para apresentar estratégias eficazes.



