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Estudo mostra maior taxa de mortes de jovens das regiões Norte e Nordeste

Estudo mostra maior taxa de mortes de jovens das regiões Norte e Nordeste
Estudo mostra maior taxa de mortes de jovens das regiões Norte e Nordeste

Por Ana Celia Ossame, especial para Portal do Holanda

 

As regiões Nordeste e Norte, respectivamente, detêm as maiores taxas de mortalidade entre jovens entre 15 a 29 anos, enquanto as mais populosas (Sudeste e Nordeste) apresentam o maior volume de óbitos causadas por situações de violência, condições de trabalho e impactos na saúde mental entre os anos de 2016 a 2022.

Nesse período, foram notificadas mais de 1,8 milhão de situações de violência pelo sistema de saúde. Dessas, 567.292 foram em pessoas na faixa etária dos 15 aos 29 anos, o que corresponde a 30% do total de notificações.

Esses são alguns dos dados inéditos apresentados pelo dossiê “Panorama da Situação de Saúde de Jovens Brasileiros de 2016 a 2022: intersecções entre Juventude, Saúde e Trabalho”, elaborado pela Agenda Jovem Fiocruz e pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).

O levantamento traz resultados a partir de bases de dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e foi apresentado no canal do Youtube da EPSJV/Fiocruz e teve como bases de dados do Sistema Único de Saúde (SUS): o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o Sistema de Informações Hospitalares (SIH-SUS) e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Há também foram usados dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No período do levantamento, foram notificadas mais de 1,8 milhão de situações de violência pelo sistema de saúde. Dessas, 567.292 foram em pessoas na faixa etária dos 15 aos 29 anos, o que corresponde a 30% do total de notificações.

Observa-se um amplo crescimento da taxa de 2016 até 2019, seguido de um decréscimo das notificações em 2020 e 2021. Este deve ser visto com cautela, pois o período mais expressivo da pandemia por covid-19 no Brasil (2020 e 2021) também foi acompanhado pela baixa das notificações compulsórias no país de modo geral para os outros agravos, incluindo a situação de violência

O estudo mostra que o perfil maior de mortalidade nas idades mais avançadas da condição juvenil, que seria entre os grupos de 20 a 24 anos e 25 a 29 anos, enquanto o agrupamento dos jovens de menor idade, entre as idades de 15 a 19 anos tem menor mortalidade.

O índice de mortalidade dos jovens de 25 a 29 anos é próximo de 175 óbitos por 100.000 habitantes, enquanto a taxa global para juventude (15 a 29 anos) foi de 145 óbitos por 100.000 habitantes.

Quando é feita estratificação por sexo, observa-se, para todo o período analisado (2016 a 2021) que a mortalidade entre os jovens decorre, principalmente, entre o sexo masculino, tanto em termos de volume de óbitos como em relação a taxa de mortalidade.

No caso das mulheres, as jovens mais velhas (25 a 29 anos) têm uma taxa de mortalidade maior que as jovens mais novas (15 a 19 anos). Já entre o sexo masculino, os jovens de 20 a 24 anos, em quase toda a série histórica, possuem as maiores taxas de mortalidade, sendo superado apenas, no ano de 2021, pelos jovens de 25 a 29 anos.

O dossiê mostra que 30% dos casos de violência atingiram as mulheres jovens e que as faixas etárias mais novas são as mais vitimadas. Adolescentes de 15 a 19 anos têm uma taxa de ocorrência de violências duas vezes maior do que os jovens entre 20 e 29 anos em todas as regiões do Brasil, e 73% das vítimas jovens de violência são mulheres.

A raça/cor negra (pretos e pardos) apresenta o maior número de óbitos, seguida da população branca – a quantidade de óbitos nos jovens negros chega a ser o dobro quando comparado com os jovens brancos.

Já o padrão de morte dos jovens adolescentes indígenas (15 a 19 anos) é diferente dos demais, apresentando uma distribuição de óbitos com aumento ao longo dos anos ao passo que a quantidade de óbitos nesse mesmo segmento etário nas demais raça/cor apresenta um movimento de queda.

Para a pesquisadora Bianca Borges, da Escola Politécnica e uma das organizadoras do dossiê, o uso dessa base de dados revela situações que precisam receber mais atenção, pois o recorte feito no dossiê mostra o potencial de uso dos sistemas de informação do SUS para trazer informações relevantes para os gestores, profissionais de saúde e, inclusive, grupos sociais organizados.

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