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Especialista alerta para sinais que crianças mostram após sofrerem abuso sexual

Especialista alerta para sinais que crianças mostram após sofrerem abuso sexual
Especialista alerta para sinais que crianças mostram após sofrerem abuso sexual

Manaus/AM - A adolescente de 11 anos salva de novas agressões de abuso sexual depois de ter a coragem de escrever um bilhete denunciando ter sido estuprada pelo companheiro a avó dela, um homem de 37 anos, que acabou preso em flagrante, pode servir de exemplo para outras meninas e meninos que estejam vivendo esse mesmo cenário de horror.

“Se você observar uma mudança de comportamento do tipo a criança ou adolescente alegre e extrovertida torna-se calada, não olha mais nos olhos das pessoas, apresenta queda no rendimento escolar, passa a rejeitar a figura masculina, demonstrando incomodar-se com a essa presença, saiba que são indicativos de que algo está acontecendo”, explica a coordenadora do Centro de Referência Especializado em Atendimento a Criança e Adolescentes (Creas), Carla Bernardes.

No ano passado, histórias de violência sexual foram registradas com outras 73 crianças, atendidas pelo Serviço Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi), disponibilizado pela Secretaria da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc).

Em todo o ano de 2021, o Paefi realizou um total 6.943 atendimentos, que inclui outros tipos de violência contra as crianças e adolescentes.

Após o atendimento na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), a menina recebeu escuta especializada no Serviço de Atendimento às Vítimas de Violências Sexuais (Savvis), quando foram solicitados exames de corpo de delito.

No caso específico dessa criança que escreveu o bilhete, ela foi acolhida pela rede de proteção e esse atendimento iniciou-se no Paefi e vai continuar pelos demais serviços oferecidos pelo centro.

 

PSICOSSOCIAL

“A partir do momento em que a família chega ao Creas, fazemos agendamento, coletamos os dados, encaminhamos para o atendimento com a equipe do Paefi, que reúne profissionais da área  psicossocial, com assistente social e psicóloga, para a acolhida dessas pessoas”, explica Carla.

O atendimento psicossocial não é o terapêutico, mas esse será feito com o acionamento da rede de proteção que conta com a parceria da Cáritas, uma organização da Igreja Católica.

Após da acolhida e a identificação das necessidades identificadas na escuta da vítima e da família, a rede de proteção é acionada para os demais atendimentos necessários, informa a coordenadora do Creas.

 

DISQUE 100

Um aspecto importante, de acordo com Carla, é que a criança vítima de abuso sempre dá sinais, por mínimos que possam parecer.

É importante prestar atenção ao corpinho da criança, que pode apresentar marcas e até infecções causadas pelo abusador.

A escola é também um ambiente onde a criança pode ser observada e a partir daí, com o auxílio de profissionais preparados, pode ser encaminhada a uma escuta que a leve a denunciar o abusador, que na maioria das vezes usa ameaças e chantagens para calar a vítima.

Em caso de suspeita, não pressione a criança, mas ofereça uma escuta aberta e carinhosa, para que ela se sinta confortável e segura para fazer a revelação. Quando isso acontecer, denuncia no Disque 100 e no Conselho Tutelar mais próximo da moradia dela.

Dados da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente divulgados pela Agência de Notícias da Câmara Federal informam que mais de 60% da violência sexual contra crianças e jovens ocorre na residência da vítima, maioria praticada pelos pais, padrastos e conhecidos. E o pior: 41% das notificações são de violência repetida, que já aconteceu antes.

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