Manaus/AM - Naquele que foi considerado o pior mês de fevereiro desde 2016, os alertas de desmatamento na Amazônia somaram 149,88 km², apontaram um aumento de 22% em relação ao mesmo período em 2021, quando foram registrados alertas para 122,8 km², indicou o Programa Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No Amazonas, a área com alerta de desmatamento foi com 40,49 km².
A área total indicada pelo Deter é quase do mesmo tamanho que a cidade de Natal (RN). Os dados, no entanto, ainda são parciais, pois a plataforma foi atualizada até o dia 25 de fevereiro.
A região amazônica já havia registrado recorde de alertas de desmatamento em janeiro deste ano, que somaram 430,44 km². O número foi quatro vezes maior do que em janeiro de 2021 e o pior desde 2016.
Em entrevista, a especialista em políticas públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo disse que os dados eram esperados em um governo que implodiu com a política ambiental e que vê a legislação ambiental e a atuação da fiscalização como entraves a serem afastados.
“O governo Bolsonaro entregará um legado desastroso: desmatamento, garimpos ilegais, invasão de terras indígenas e de áreas ambientalmente protegidas, aumento das emissões de gases de efeito estufa”, disse a Suely.
O estado do Mato Grosso foi o que contabilizou maior número de alertas, com 49,35 km² de desmatamento, seguido pelo Pará, com 47,62 km², Amazonas, com 40,49 km², Roraima, com 4,95 km², Rondônia, com 3,64 km², Maranhão, com 3,46 km² e Tocantins, com 0,37km².
O único estado que não registrou alertas de desmatamento para o período, foi o Acre, segundo a plataforma do
INPE
As estimativas divulgadas pela plataforma de inteligência artificial PrevisIA indicam que, neste 2022, a área derrubada na Amazônia pode chegar a 15 mil km², levando em conta o chamado “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de um ano até julho do ano seguinte.
Para agravar as estimativas, o período do ano eleitoral, somado ao pacto entre o governo e sua base no Congresso em prol do desmonte das leis ambientais, indicam a ampliação do quadro de retrocessos e será preciso muito tempo para reverter o verdadeiro desastre causado por Bolsonaro nesse campo de políticas públicas, argumentou Suely Araújo.



