Por Ana Celia Ossame, especial para Portal do Holanda
Com o fenômeno El Niño chegando ao ápice no final deste ano, reduzindo o volume de chuvas esperando para esse período, o processo de estiagem severa pelo qual passa a região Amazônica deve ter impactos na cheia dos rios em 2024.
Além do El Niño, que é aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, há também o aquecimento anômalo das águas superficiais do Atlântico Tropical Norte, que permanecem atuantes, ambos inibindo a formação de nuvens e, consequentemente, de chuvas esperadas para esta época do ano na região amazônica.
O alerta é do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), no boletim periódico de monitoramento hidrológico que abrange toda a região, divulgado esta semana durante o seminário “Pré-Cheia 2023: Análise e Prognóstico Hidrometeorológico 2024”, promovido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). O boletim é feito em parceira entre o SGB-CPRM e a Agência Nacional das Águas e Saneamento Básico (ANA)
O evento teve o objetivo de compartilhar os dados gerados a partir da operação de Sistemas de Alerta Hidrológico (SAH) e a partir dele, os pesquisadores Jussara Cury e Marcus Suassuna, chamaram a atenção para as anomalias negativas de chuvas para bacias dos rios Acre, Madeira e Xingu que terão reflexos nos próximos meses.
Para os pesquisadores, o ponto crítico foi o volume de chuvas reduzido entre os dias 14 de novembro e 13 de dezembro deste 2023, abaixo da climatologia predominando em grande parte da região em quase a totalidade das bacias monitoradas com déficit de precipitação.
Para eles, mesmo havendo registros do aumento dos volumes de chuvas, de forma geral, isso é insuficiente para reverter as consequências dos fenômenos que permanecem atuando na região inibindo ou reduzindo a formação de nuvens.
Como exemplo, citam os níveis dos rios que ainda estão muito baixos e, consequentemente, suas vazões reduzidas devem trazer mais impactos na região sobre o abastecimento, navegação e estabilidade geológica local, em razão dos fenômenos de terras caídas ocasionados pela diminuição muito rápida dos níveis de águas.
Há também riscos de processos ecológicos levando à mortandade de peixes em razão do reduzido espaço para circulação, elevação da carga orgânica e também das temperaturas das águas. Todos esses exemplos de impactos geram uma série de consequências para as populações ribeirinhas e para a economia regional, explicam os pesquisadores.
Jussara revelou em Manaus, o Rio Negro está em processo de início de enchente, com subidas médias diárias na ordem de 15 centímetros (cm). Nessa semana, o Solimões teve subidas médias diárias na ordem de 12cm na estação de Tabatinga, 24cm no posto de Itapéua e 16cm em Manacapuru. Em São Gabriel da Cachoeira e Tapuruquara nesta semana ele voltou a subir. Em Barcelos, há certa estabilidade com subida nos registros mais recentes.
O Rio Branco apresentou subidas nos últimos dias em Boa Vista, enquanto em Caracaraí (RR) apresentou pequenas descidas ao longo da semana, mas voltou a subir no registro mais recente.
O Rio Acre em Rio Branco apresentou oscilações ao longo da semana, mas voltou a subir de forma acentuada no registro mais recente. Em Beruri, o rio Purus está em processo de início de enchente, com subidas diárias na ordem de 20cm.
O Rio Madeira iniciou a semana com subidas em Porto Velho, mas apresentou certa estabilidade nos últimos dias. Em Humaitá, o Madeira iniciou a semana com subidas acentuadas, mas apresentou pequenas elevações nos registros mais recentes.
Nesta semana, o rio Amazonas subiu uma média diária de 13cm em Itacoatiara e Careiro da Várzea. Na região mais à jusante, o Amazonas apresentou subidas na ordem de 5cm na estação de Parintins, 9cm em Óbidos e 8cm no posto de Santarém.



