Primeiro dia útil com medidas restritivas no DF é marcado por protesto e comércio aberto

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

01/03/2021 19h04 — em Variedades

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - No primeiro dia útil de novas medidas restritivas em vigor no Distrito Federal, a circulação das pessoas diminuiu, mas alguns estabelecimentos permaneceram abertos e ambulantes continuaram seus trabalhos pelas ruas de Brasília. Também houve protestos em frente ao Palácio do Buriti contra as ações.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), decretou as medidas na sexta-feira (26). Até o dia 15 de março, todas as atividades comerciais estão suspensas, exceto os serviços essenciais.

A Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal informou, em nota, que até as 14h, 123 estabelecimentos foram fechados e um foi interditado no Distrito Federal. Também foram vistoriados 79 quiosques, e 14 deles foram fechados.

"Nenhum estabelecimento foi multado. Os dois primeiros dias estão sendo para orientar os comerciantes sobre o lockdown", disse em nota.

A medida tem gerado revolta no setor produtivo do Distrito Federal. Com cartazes e gritos pedindo o retorno ao trabalho, um grupo se reuniu em frente ao Palácio do Buriti, onde fica o governador Ibaneis Rocha, na manhã desta segunda-feira (1º).

Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 600 pessoas estavam na manifestação, que durou aproximadamente duas horas.

Leonardo Resende, diretor da ACDF (Associação Comercial do Distrito Federal) e um dos organizadores do movimento Lockdown no DF Não, disse que a situação do comércio é preocupante.

O movimento é formado por pessoas do setor produtivo, como o Sindhobar (Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília) e o Sindac-DF (Sindicato das Academias do Distrito Federal).

"Conseguimos juntar empregado e empregador para protestar. Desde o início da pandemia o comércio teve um prejuízo inestimável. As pessoas não aguentam mais ficar paradas", disse Resende.

A deputada Julia Lucy (Novo) esteve presente na manifestação. A parlamentar apresentou um PDL (Projeto de Decreto Legislativo) para derrubar o decreto na Câmara Legislativa do Distrito Federal nesta segunda-feira (1). A previsão é que ele seja discutido nesta terça-feira (2).

"Acredito que o setor esteja sendo punido devido a uma parcela que não cumpriu as medidas sanitárias", afirmou.

Apesar de a maioria das lojas de rua estarem fechadas, algumas não respeitaram as medidas restritivas. O aposentado Antônio Francisco Alencar Vieira permaneceu com sua sapataria aberta na avenida W3 Sul.

"O movimento caiu muito, mas eu permaneço com a loja aberta tomando todos os cuidados para não ter aglomeração", disse.

O decreto proíbe também o comércio ambulante, mas a atividade não parou, principalmente na rodoviária de Brasília. "Quem vai pagar minhas contas? Eu preciso trabalhar", disse o vendedor ambulante Gilmar dos Santos.

Nas redes sociais, o governador disse que conversou com representantes do setor produtivo para mostrar que a taxa de transmissibilidade do vírus está alta. Ele afirmou que é preciso interromper a circulação de pessoas ou a crise não vai ter fim.

Ibaneis Rocha disse ainda que espera que a economia volte a funcionar em até 15 dias. Antes, porém, será preciso aumentar o número de leitos de UTI e reduzir a taxa de transmissão do vírus.

"No fim de semana abrimos 60 novos leitos de UTI para Covid-19 e imediatamente 54 deles foram ocupados. Isso mostra a gravidade da situação no DF. O decreto de lockdown não me traz nenhum tipo de satisfação, pelo contrário, mas eu não posso fugir das minhas responsabilidades", disse.

Antes da publicação do decreto, a previsão era de que as medidas restritivas começariam a valer na segunda-feira (1), mas foram antecipadas para domingo (28).

O governador tomou a decisão de decretar as medidas restritivas após a alta taxa de ocupação de leitos de UTI no Distrito Federal, que passou de 90% no final de semana.

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