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Polícia suspeita que influenciadores eram aliciados para divulgar links viciados do jogo do tigrinho

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Rio de Janeiro apura se influenciadores digitais seriam aliciados por intermediários e receberiam contas viciadas do jogo do tigrinho para ganhar sempre, incentivando seus seguidores a apostar.

A hipótese será analisada a partir de perícia nos celulares e computadores apreendidos durante a operação realizada nesta quinta-feira (7) que mirou influenciadores como Bia Miranda e Gato Preto.

"Outras investigações já apontaram que os links repassados aos influenciadores eram diferentes daqueles fornecidos ao grande público, criando a falsa impressão de que ganhar no jogo era algo fácil", afirmou o delegado Renan Mello, da Delegacia de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro.

Segundo a polícia, eles teriam conhecimento do esquema. A Folha de S.Paulo procurou os influenciadores, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. Bia Miranda fez uma postagem no Instagram mostrando imagens da busca e apreensão na sua casa, mas não comentou o caso.

Também em um post, Gato Preto, segurando um drink, disse "nada é meu, meus carros são alugados, não tem o que tomar, não tem o que apreender".

A polícia disse que os influenciadores seriam o "braço publicitário" do esquema. Em comum, dois nomes os conectam, Tailon Artiaga Ferreira Silva e Maicon Santos Morais. Segundo os investigadores, eles seriam responsáveis por aliciar influenciadores e recebiam, para isso, uma porcentagem dos lucros gerados após convencê-los a divulgar o jogo.

"Eles atuam como agenciadores, um elo financeiro, com movimentações incompatíveis com sua renda declarada. Em apenas um ano, Tailon movimentou R$ 18 milhões", disse Mello. A reportagem procurou os dois pelas redes sociais, mas não obteve resposta.

A polícia já identificou outros supostos agenciadores envolvidos no aliciamento de influenciadores, que devem ser o foco da próxima fase da operação.

De acordo com os investigadores, a lavagem de dinheiro no esquema funcionava por meio de uma estrutura voltada à ocultação dos recursos obtidos com a exploração ilegal de jogos de azar online.

Após a promoção do jogo por influenciadores, com promessas de ganhos fáceis, o dinheiro arrecadado era inicialmente pulverizado em contas bancárias de terceiros e de empresas de fachada, que atuavam como laranjas, também segundo a apuração. Nove dessas empresas já foram identificadas, mas os nomes não foram divulgados porque o inquérito ainda está em andamento.

Ainda segundo a apuração preliminar, parte das transações ocorria por meio de fintechs sem regulamentação, que permitiam movimentações rápidas e com baixo nível de controle. Algumas dessas plataformas estariam sob influência de facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital.

"Já foi demonstrado em outras investigações que algumas fintechs têm influência de facções. Essa é uma linha de apuração. Isso não significa que os influenciadores tenham ligação com esses grupos, mas essa é uma estratégia cada vez mais usada pelo crime organizado", afirmou o delegado.

Os valores eram, então, redirecionados para operadores financeiros que atuavam como contas de passagem, realizando sucessivas transferências para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

A etapa final consistia na reinserção dos valores por meio da compra de imóveis de luxo, veículos importados, viagens internacionais e consumo elevado, expostos na rede social.

Com base em Relatórios de Inteligência Financeira solicitados ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a investigação identificou movimentações atípicas e incompatíveis com a renda dos envolvidos. Os valores ultrapassam R$ 4,5 bilhões. Um dos relatórios apontou R$ 2,7 bilhões em transações suspeitas; outro, R$ 26 milhões. Apenas os influenciadores movimentaram, de forma irregular, aproximadamente R$ 40 milhões em dois anos.

Uma das investigadas, Nayara Silva Mendes, conhecida como Nayala Duarte, movimentou R$ 9 milhões em um único ano, embora sua microempresa não apresentasse capacidade financeira para justificar esse montante.

O investigado Sun Chunyang figura como sócio de diversas empresas intermediadoras de pagamento, entre elas a Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., considerada peça-chave no funcionamento do esquema.

A operação, batizada de Desfortuna, apura suspeita dos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, estelionato, publicidade enganosa, exploração de jogos de azar e crime contra a economia popular.

VEJA QUEM SÃO OS INFLUENCIADORES ALVOS DA OPERAÇÃO

- Bia Miranda: Ficou conhecida como neta da Gretchen e aumentou sua visibilidade ao participar do reality show "A Fazenda 14", do qual foi vice-campeã, e por suas polêmicas envolvendo a mãe, Jenny Miranda

- Jenny Miranda: Ficou famosa ao namorar Thammy Miranda, filho da cantora Gretchen e vereador por São Paulo

- Rafael da Rocha Buarque: Natural do Rio de Janeiro, é ex-atleta profissional e se dedica ao funk.

- Maurício Martins Júnior: Maumau, também conhecido como MauMauZK, é famoso por seus conteúdos de humor e experiências inusitadas, especialmente no universo do jogo Free Fire.

- Samuel Sant’anna da Costa: Conhecido como Gato Preto, se destaca com conteúdos sobre ostentação e humor.

- Sun Chunyang: Sócio da empresa Cash Pay, que administra plataformas de apostas. A empresa já é alvo de uma investigação da Polícia Federal.

Demais alvos: Paulina de Ataide Rodrigues; Tailane Garcia dos Santos; Micael dos Santos de Morais; Paola de Ataide Rodrigues; Lorrany Rafael Dias; Vanessa Vatusa Ferreira da Silva; Tailon Artiaga Ferreira Silva; Ana Luiza Ferreira do Desterro Simen Poeis; e Nayara Silva Mendes

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