SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A prisão de um morador do Jardim Pantanal sob suspeita de crime ambiental provocou protesto dos moradores e intervenção da GCM (Guarda Civil Metropolitana) com bombas de gás na noite desta quarta-feira (6) na zona leste de São Paulo.
De acordo com o pedreiro Rafael Soares, ele estava colocando ferramentas e sacos de cimento em seu carro para fazer um trabalho em outro local quando uma viatura da GCM chegou e os agentes perguntaram o que ele estava fazendo.
Ao explicar, ele afirma que os agentes pediram para ver a sua casa, que, segundo ele, está em construção há oito anos, desde quando chegou ao local. Como havia um outro saco de cimento dentro da casa, os agentes disseram que ele seria preso por crime ambiental, por ser proibido construir no local.
Ele então foi levado para a delegacia, onde prestou depoimento. A GCM o levou de volta e tomou a chave do seu carro, dizendo que o veículo estaria apreendido até a chegada da perícia da polícia ambiental, o que não havia acontecido até a publicação deste texto.
"Ele [GCM] tinha falado que não ia pegar meu carro mas, chegando à delegacia, ele pediu a chave. Então, não cumpriu a palavra. Falou que ia me autuar pela construção e, chegando lá, envolveu o carro no meio para incrementar. Não achei justo. A própria equipe dele está vendo que sou um trabalhador que está vivendo uma situação sofrida. Os caras vão levar o único meio de sustento que eu tenho, que é meu carro", disse Rafael, destacando que não há qualquer sinal de massa de cimento na casa, o que seria indício de construção.
Questionada sobre a ação da GCM, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana não respondeu até a publicação da reportagem.
Vendo o que havia acontecido, vizinhos de Rafael começaram a protestar, explicando que ele era pedreiro e que tinha ido até em casa para almoçar.
Um grupo montou uma barreira na rua com móveis e outros objetos e colocou fogo. Pouco depois, outros agentes da GCM chegaram e começaram a disparar bombas de gás contra os moradores, para dispersá-los. A revolta aumentou porque havia muitas crianças no local.
O clima no Jardim Pantanal está tenso desde que a gestão Ricardo Nunes (MDB) anunciou a remoção de mais de 4.000 moradias na região, em maio, após graves enchentes no início deste ano. A área onde enchentes são frequentes fica na várzea do rio Tietê e passa por um crescente processo de ocupação por famílias pobres há mais de quatro décadas.
Na terça-feira (5), quatro casas foram derrubadas por funcionários da prefeitura, que afirmou, em nota, que os barracos estavam desabitados e foram demolidos porque erguidos após o cadastramento das famílias residentes. "Não há qualquer despejo", disse a nota.

