Início Variedades Iniciativa de transformar centro de BH em 'Times Square' esbarra em patrimônio tombado
Variedades

Iniciativa de transformar centro de BH em 'Times Square' esbarra em patrimônio tombado

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Uma lei sancionada em março pelo prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), libera a instalação de painéis de LED em edifícios no entorno da Praça Sete de Setembro, um dos cartões-postais da capital mineira.

Para os críticos, a iniciativa pretende transformar a Praça Sete, como é conhecida, em uma "Times Square" -referência à famosa rua de Nova York conhecida pela profusão de painéis luminosos.

Já os defensores afirmam que ela pode contribuir para a revitalização do centro, com atração de turistas e clientes para os comércios.

A lei foi regulamentada em junho, quando o prefeito determinou que as propostas de instalação dos telões de LED devem ter o aval do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), por se tratar de um local com edifícios tombados.

A prefeitura afirma, que até o momento, recebeu três consultas sobre a instalação de painéis de LED, mas que ainda não foi protocolada junto ao município nenhuma proposta com a documentação aprovada.

"O objetivo é viabilizar a apresentação de um projeto integrado e qualificado, que contemple de maneira equilibrada os quatro cantos da Praça Sete, respeitando suas características históricas e culturais, ao mesmo tempo em que promove uma ocupação mais harmônica e moderna do espaço público", diz a gestão, em nota.

Para a presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU-MG), Cecília Fraga, a lei não é funcional para o local que foi determinado e gera prejuízos para a fachada e para o interior dos prédios, com o bloqueio de janelas.

"Há edifícios tombados, inclusive com arquitetura do Oscar Niemeyer [prédio que hoje sedia o P7 Criativo]. O próprio texto da lei não é coerente, ao falar que a espessura do painel pode chegar a 1,70 m, isso é um lixo na fachada", diz.

A lei também estabelece que os painéis não podem exceder a altura de 3,40 m a partir da calçada nem ocupar área superior a 30% da fachada da instalação.

Os telões instalados também devem veicular, de forma gratuita, uma hora diária de conteúdo disponibilizado pelo município, em inserções de no máximo 30 segundos.

A dirigente da entidade dos arquitetos diz que a classe não é contrária à instalação de painéis de publicidade, mas que eles deveriam ser idealizados de outras formas e em locais onde não há tantos edifícios tombados.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, é favorável à lei e afirma que ela pode ser uma maneira de atrair mais visitantes ao centro da capital.

"O objetivo é melhorar o comércio, os restaurantes, que poderão ficar abertos até mais tarde nos quarteirões próximos à Praça Sete. Se hoje durante o dia eles já não são ocupados, imagina à noite", diz o dirigente.

Ele diz rejeitar a ideia de que a lei quer transformar o centro de BH em uma Times Square e prefere citar exemplos como o de Buenos Aires -a Avenida 9 de Julio, onde fica o Obelisco, abriga painéis luminosos.

Ele diz que a CDL tem orientado os comerciantes e representantes dos edifícios que desejam instalar os telões no local.

"Nós temos a posição de que vai ser bom para a cidade. A prefeitura já entendeu isso, mas é óbvio que tem que ter o regramento, a gente não quer passar nada por cima. O grande problema é que quanto mais tempo vai passando, mais a cidade fica prejudicada".

Se a instalação dos painéis na Praça Sete gera divergência entre as entidades, parece haver um consenso da necessidade de revitalização do centro e atração inclusive de novos moradores ao local.

O CAU e o CDL consideram como exemplo positivo a adoção de retrofits -modernização ou restauração de um edifício antigo, preservando parte das características históricas.

As reformas, porém, ainda patinam na cidade, e o primeiro alvará de construção para retrofit foi emitido em junho, para transformar um edifício comercial construído em 1940 em um residencial com 124 apartamentos.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?