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Alvo do PCC, coordenador de presídios enfrenta ameaças da facção desde 2006

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Não foi nenhuma novidade a Roberto Medina, coordenador de presídios da região oeste de São Paulo, a descoberta revelada nesta sexta-feira (24) de que o PCC (Primeiro Comando da Capital) orquestrava um plano para assassiná-lo -o segundo alvo era o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo.

Servidor da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) desde a década de 1990, Medina iniciou a carreira na mesma região oeste onde hoje atua. Começou como segurança de uma penitenciária em Presidente Bernardes, apontam dados resgatados pela reportagem, e foi pouco depois foi promovido a diretor-geral da penitenciária de Iaras, no interior de São Paulo.

Tornou-se alvo do PCC ainda em 2006, quando investigações apontaram a existência de um plano para assassiná-lo em Araraquara, cidade de cujo presídio havia se tornado diretor.

O caso ocorreu apenas três meses depois dos chamados ataques de maio -uma onda de atentados do PCC que deixou 564 pessoas mortas no estado de São Paulo, a maioria das quais (505) civis.

Não demorou para que assumisse a Coordenadoria de Execução Penal da Região Oeste do Estado (Croeste), cargo que ocupa desde agosto de 2008. A função o tornou responsável pelos 36 presídios da região.

É uma região delicada: nesses presídios, afinal, estão ou estiveram presos os criminosos mais perigosos do estado.

O principal deles foi Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado ainda hoje o número um da facção criminosa e condenado em sentenças cujas penas, somadas, ultrapassam 300 anos de prisão.

Marcola deixou o presídio em Presidente Venceslau em 2019, quando foi enviado com outros 21 presos ligados à cúpula do PCC a penitenciárias federais.

A transferência, em fevereiro daquele ano, envolveu agentes de elite da Polícia Militar de São Paulo, incluindo franco-atiradores, num trabalho exercido conjuntamente com a FAB (Força Aérea Brasileira e outros órgãos, como a Polícia Rodoviária Federal.

A operação veio na esteira de uma escalada de tensão entre o PCC e membros da segurança pública paulista.

Dois meses antes, em dezembro de 2018, duas mulheres foram presas ao deixarem a penitenciária de Presidente Venceslau com cartas de líderes do PCC ordenando o assassinato dos mesmos Gakiya e Medina. Os recados determinavam atentados contra eles caso a transferência dos chefes da facção para presídios federais viesse a se concretizar.

No mês seguinte, janeiro de 2019, outra carta com ordens semelhantes foi interceptada por agentes da SAP em Junqueirópolis. A transferência realizada em fevereiro não evitou que novas ameaças contra o diretor fossem descobertas.

Em 2020, por exemplo, um bilhete escondido nas roupas de um detento foi apreendido pela SAP pouco antes de o preso ser atendido por um advogado. O conteúdo era claro: cobrava novamente as mortes de Medina e Gakiya, considerados inimigos declarados da facção e jurados de morte há mais de dez anos.

Outros bilhetes viriam a ser interceptados, apontam investigações, com ameaças que já se tornaram rotina ao diretor dos presídios da região Oeste e ao promotor Gakiya, que atua em Presidente Prudente.

Se estendem também a outras autoridades. Como mostrou a Folha, a vida de quem investiga o PCC inclui medo constante, veto a shopping e escolta escondida para parente.

O mais recente plano contra Medina, revelado nesta sexta-feira (24), mostrou que a facção monitorou de perto não apenas os seus passos como também os de sua família.

No mês passado, o ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes foi assassinado a tiros em Praia Grande, no litoral paulista, vítima de uma emboscada que envolveu perseguição e criminosos armados com fuzis. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) diz que o PCC tem participação no ataque.

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