Início Tecnologia Senado vota hoje projeto que regulamenta serviços como Uber
Tecnologia

Senado vota hoje projeto que regulamenta serviços como Uber

CONTROLE ESTATAL

Envie
Senado vota hoje projeto que regulamenta serviços como Uber
Senado vota hoje projeto que regulamenta serviços como Uber
Envie

SÃO PAULO - Empresas de transporte privado por aplicativos avaliam que, se o Congresso aprovar o Projeto de Lei Complementar (PLC) 28/2017, que equipara o serviço oferecido por elas ao dos táxis, o modelo de negócio ficará inviável e pode ser extinto. Uber, Cabify e 99POP se uniram numa campanha contra a proposta que será votada, em regime de urgência, nesta terça-feira no Senado. Entre os outras medidas, o PLC passará a exigir o uso de placas vermelhas pelos veículos e autorização das prefeituras para que a atividade seja exercida. Os motoristas de aplicativos fizeram manifestações nesta segunda em pelo menos 36 cidades brasileiras.

O presidente global do Uber, Dara Khosrowshahi, está no Brasil e vai acompanhar a votação no Senado. Segundo ele, o projeto andou muito rápido no Congresso, e faltou debate com os usuários do serviço.

- O projeto andou muito rápido no Congresso e faltou discussão. Não somos contra a regulamentação, mas queremos uma regulamentação que preserve os direitos do consumidor - disse Khosrowshahi ao GLOBO.

Na prática, as empresas de aplicativos entendem que a regulamentação proposta aumenta a burocracia, e reduzirá a oferta do serviço já que poucas pessoas devem obter as licenças nas prefeituras. Segundo as companhias, a PLC também limita o direito de escolha dos usuários, restringindo a concorrência, além de deixar milhares de brasileiros sem a opção de ganhar um renda extra, num momento em que o desemprego atinge 13 milhões de pessoas. Nos bastidores, o entendimento das empresas é que, em ano pré-eleitoral, o projeto tramitou muito rápido no Congresso por pressão dos taxistas.

- As questões técnicas desse modelo de negócio, como criação de empregos e concorrência, nem foram discutidas nas comissões do Senado. O projeto foi levado diretamente à votação no Plenário, em regime de urgência, para que não tivesse a visibilidade da sociedade - diz uma fonte que acompanhou a tramitação do projeto.

O presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo (Sinditáxi), Natalício Bezerra da Silva, afirma que a categoria (são cerca de 38 mil taxistas em São Paulo e 33 mil no Rio de Janeiro) esperava há tempos a regulamentação dos aplicativos de transporte. Bezerra também estará em Brasília acompanhando a votação e tem a expectativa de que o texto seja aprovado sem modificações.

- Não podemos aceitar que empresas estrangeiras venham ao país e explorem os brasileiros. Quem não anda na linha, deve ser posto na linha pelas autoridades - disse Bezerra.

Para mostrar que o modelo de negócios é empregador e beneficia milhões de usuários, o Uber pela primeira vez revelou números da companhia no país. Segundo Khosrowshahi, a empresa tem 500 mil motoristas parceiros (100 mil no Rio de Janeiro e 150 mil em São Paulo) e 17 milhões de usuários no país. Segundo o presidente da empresa, este ano, já foram recolhidos quase R$ 500 milhões em impostos, como ISS, ICMS e Imposto de Renda. O Brasil é o segundo maior mercado da empresa, depois dos Estados Unidos, e por isso sua importância estratégica. Já a 99POP afirma ter 20 mil motoristas no Rio de Janeiro, enquanto a Cabify diz que dos 200 mil motoristas parceiros que possui no país, a maior parte está em São Paulo e Rio de Janeiro.

- Nosso modelo de negócio fica inviabilizado com o PLC 28. Incentivamos as manifestações dos motoristas que aconteceram em diversas cidades ontem porque essa regulação é um retrocesso do nosso modelo de mobilidade para o país. Também foi criado o site www.retrocessourbano.com.br para que as pessoas se conscientizem sobre essas mudanças, que são muito graves - diz Daniel Velazco Bedoya, country manager da Cabify no Brasil.

O Uber também lançou na tevê aberta, em horário nobre, uma campanha questionando a regulamentação proposta pelo Congresso. No filmete, com duração de um minuto, usuários do serviço aparecem com a boca tapada para mostrar que não foram consultados sobre as mudanças e o PLC 28/20017 é chamado de "Lei do Retrocesso". As demais empresas, como 99 e Cabify, também estão se mobilizando e informando seus usuários das mudanças com campanhas nas redes sociais.

Uma fonte que acompanha as negociações afirma que existe a disposição do Senado de vetar o uso das placas vermelhas e a obrigação de que o motorista tenha carro próprio para prestar o serviço de transporte via aplicativo. Mas os demais pontos, como a obrigação de licenças dadas pelas prefeituras, devem ser aprovados, diz a fonte, deixando para o presidente Michel Temer a decisão de vetar ou não o projeto.

Para Velazco Bedoya, da Cabify, um dos cenários positivos para as empresas de aplicativos seria que fosse aprovado um texto substitutivo apresentado pelo relator Pedro Chaves (PSC-MS). O texto de Chaves diz que os aplicativos já foram aprovados pela população porque “aumentaram seu bem-estar social e provocaram a redução dos preços, com a livre concorrência". O substitutivo de Chaves também não exige que os motoristas tenham autorização concedida pelo poder público para trabalhar e nem que os veículos utilizem placas diferenciadas.

- Esse projeto substitutivo de fato traz a regulamentação do serviço prestado pelos aplicativos. Ele determina a obrigatoriedade de antecedentes criminais dos motoristas e compartilha dados com o poder público. O PLC 28 como está, na verdade, é uma proibição disfarçada de regulamentação - diz Kaliana Kalache, gerente de relações governamentais da 99.

O Uber acumula polêmicas ao redor do mundo. Este mês, iniciou o que promete ser uma longa batalha judicial para tentar derrubar a suspensão de sua licença na capital inglesa, onde tem 3,5 milhões de clientes. Além disso, a empresa anunciou que vai deixar de operar em Quebec, no Canadá, por conta de uma regulação anunciada pela província. Nos Estados Unidos, onde nasceu, o Uber também enfrenta problemas: é alvo, por exemplo, de uma ação por suposta manipulação de preços. Não faltam ainda processos movidos por motoristas cadastrados pelo aplicativo, que cobram direitos trabalhistas.

Siga-nos no

Google News