A David Almeida e a Explosão do Tabuleiro Político no Amazonas: O "Efeito Granada" que Rompe Pontes na Largada ao Governo.
“Do rompimento com os caciques tradicionais ao 'Fator Bolsonaro': a metralhadora política de David Almeida e os novos rumos do Amazonas para 2026”
Articulista: Silvio da Costa Bringel Batista *
I. PROLEGÔMENOS: O Impacto das Declarações de David Almeida
A política amazonense foi atingida por um movimento tectônico de proporções ainda incalculáveis. O prefeito de Manaus, David Almeida, ao oficializar sua pré-candidatura ao Governo do Estado, não apenas cumpriu um rito eleitoral, mas deflagrou uma estratégia de confronto total . Em um pronunciamento que misturou desabafo pessoal e cálculo político, o mandatário municipal conseguiu, em poucos minutos, alvejar os principais pilares do establishment político atual: os Palácios da Compensa, as lideranças do Senado e, de forma surpreendente, sua própria base de apoio imediata.
Este anúncio não foi um evento isolado, mas um marco de ruptura institucional . Almeida "queimou os navios" com seus antigos fiadores, abraçando uma retórica de vitimização que busca transformar o cerco jurídico em combustível eleitoral. Ao declarar que sua missão é "livrar o Amazonas da tirania e da opressão" , o prefeito transpôs a disputa do campo administrativo para o campo moral e pessoal, lançando o estado em um cenário de incerteza onde as "metralhadoras" políticas agora disparam em todas as direções, sem poupar biografias ou alianças históricas.
O pano de fundo dessa agressividade é a Operação Erga Omnes , que investiga um suposto "núcleo político" de facção criminosa. Ao classificar a ação policial como uma "nota de 300 reais" , David Almeida sinaliza que sua defesa não será feita apenas nos tribunais, mas principalmente no tribunal da opinião pública. Esta postura beligerante não é um erro de cálculo, mas o início de uma transição para um isolamento estratégico, onde o "David" contra o "Sistema" se torna a sua principal peça de propaganda.
Nessa transição para os embates diretos, nasceu uma grande ruptura e, certamente, não se deu de forma abstrata. Ela possui nomes, sobrenomes e endereços políticos bem definidos. Para compreender a profundidade desse abismo, é necessário dissecar como o prefeito transformou antigos "fiéis aliados" em alvos prioritários, começando por aquela que é, talvez, a acusação mais grave de sua trajetória política recente: o embate direto com o senador Omar Aziz.
II. A ACUSAÇÃO GRAVE CONTRA OMAR AZIZ: O Rompimento do Sigilo e da Lealdade
O ataque mais contundente do pronunciamento de David Almeida foi direcionado ao senador Omar Aziz (PSD). O prefeito não se limitou ao campo das divergências programáticas ou administrativas; ele transpôs a barreira institucional ao imputar ao senador a conduta de vazamento de detalhes de uma operação policial sigilosa com o intuito deliberado de coação política .
· A Gravidade do Fato e o Risco Jurídico: Ao afirmar que soube da operação na residência do senador meses antes de sua deflagração, David coloca Omar Aziz sob a suspeita de acesso ilícito a informações de inteligência policial.
· Calúnia e Difamação: Caso David Almeida não apresente provas robustas dessa "reunião de vazamento", ele ingressa em um terreno perigoso de crimes contra a honra, podendo ser alvo de interpelações judiciais e processos criminais que podem desgastar sua própria elegibilidade.
· Implicações Criminais contra Aziz: Por outro lado, se a acusação for comprovada, o cenário inverte-se: o senador Omar Aziz poderia responder criminalmente por violação de sigilo funcional ou obstrução de justiça, gerando uma crise de proporções nacionais.
· A Mutação da Narrativa: Do "Fiel Aliado" ao "Agente de Intimidação": O que torna este embate um "estudo de caso" sobre a volatilidade política é a velocidade da mudança de discurso. Em agosto de 2024 , durante a convenção que selou sua campanha à reeleição, David Almeida utilizava seus canais oficiais para exaltar Omar Aziz como um "fiel aliado" , peça-chave para a estabilidade de Manaus. Menos de dois anos depois, a semântica mudou de gratidão para medo. A narrativa atual descreve Aziz como um agente de "intimidação e ameaça" , transformando o antigo parceiro no principal vilão de um suposto cerco contra a prefeitura.
· A Consequência Geopolítica: O Isolamento Federal: Este ataque sinaliza um rompimento sem volta com uma das alas mais influentes do Congresso Nacional. Ao alvejar Aziz - aliado de primeira hora e interlocutor direto do Presidente Lula -, David Almeida isola o Município de Manaus de diálogos estratégicos com o Governo Federal. A estratégia de "independência" proclamada pelo Prefeito pode ter um custo alto: a perda de um "padrinho" político em Brasília que, apenas em 2025, foi responsável pela articulação de milhões em recursos para a capital.
III. O EMBATE COM WILSON LIMA: O Fim da Simbiose Administrativa
Ao classificar a gestão de Wilson Lima (União Brasil) como "péssima" e questionar publicamente sua qualificação para uma das duas vagas ao Senado em 2026, David Almeida não apenas rompe um acordo político; ele incinera a "paz armada" que permitiu a Manaus e ao Amazonas uma convivência institucional produtiva nos últimos anos.
· Gestão vs. Política: O Risco da Paralisia Institucional: Críticas administrativas entre prefeitos e governadores são comuns na democracia, mas o tom empregado por Almeida - de desqualificação pessoal e antecipação de veto eleitoral - altera a natureza do conflito. A parceria institucional entre o Palácio da Cidade e o Palácio da Compensa é vital para a manutenção de convênios fundamentais, como o programa de pavimentação asfáltica e repasses para o transporte público. Ao declarar o governador como seu principal oponente moral e técnico, David Almeida coloca em risco o fluxo de recursos que sustenta sua própria vitrine de obras na capital.
· A "Fatia do Bolo" e o Divórcio de Conveniência: Para os observadores atentos, o embate é o desfecho de um alinhamento que sempre foi pautado pela conveniência financeira. Enquanto o Estado irrigava o Município com repasses, a parceria era celebrada; no momento em que a sucessão estadual entra no radar e os cofres apresentam limites, a "venda moral" cai. David tenta agora se desvincular da imagem do governador para não carregar o ônus da desaprovação que ele mesmo atribui a Lima, em uma manobra clássica de distanciamento para preservação de capital político.
· A Fragilidade da Eleição Majoritária: O questionamento da "qualificação" de Wilson Lima para o Senado é uma estocada profunda no projeto político do governador, que conta com a desincompatibilização em abril de 2026. Ao atacar o projeto pessoal de Lima, David Almeida força uma reorganização do tabuleiro onde o governador, antes um aliado estratégico, passa a ser visto como um obstáculo à sua própria ascensão ao comando do Estado.
IV. FOGO AMIGO: O Caso Tadeu Souza - De "Fiel Aliado" a Alvo. Será?
Talvez o ponto mais surpreendente e emocionalmente carregado do pronunciamento tenha sido o ataque ao vice-governador Tadeu Souza. Até então, Tadeu era considerado o "alter ego" de David Almeida no Poder Executivo Estadual - um aliado de primeira hora, indicado pelo prefeito para compor a chapa de Wilson Lima em 2022 com o objetivo explícito de ser a garantia de lealdade nos corredores do Palácio Estadual da Compensa.
· A Suspeita Ética como Arma: Ao sugerir que o vice-governador Tadeu Souza indicou uma empresa com "dúvidas" em sua contratação, David Almeida não apenas levanta uma suspeita de ordem ética e técnica, mas expõe o antigo parceiro ao escrutínio dos órgãos de controle. Esta manobra é arriscada: ao tentar dividir o ônus de investigações que rondam a prefeitura, David pode estar implodindo a imagem de "gestor técnico" que Tadeu sempre cultivou.
· O Risco do Isolamento e a Mensagem aos Aliados: Esse tipo de "fogo amigo" gera um isolamento político severo. Ao alvejar publicamente o homem que ele mesmo projetou, David envia uma mensagem clara: em seu círculo de confiança, a lealdade é condicional e ninguém está imune ao sacrifício político caso a narrativa de sobrevivência assim exija. Isso gera um clima de desconfiança entre os demais aliados, que passam a questionar a segurança de suas próprias posições.
· A Ruptura Pessoal e a "Tese do Cavalo de Troia": Na política, as rupturas mais amargas são as que possuem raízes pessoais. David e Tadeu são amigos de infância, cresceram como vizinhos e compartilharam décadas de trajetória. A exposição pública de Tadeu pode ter marcado o fim de uma amizade de vida. Entretanto, nos bastidores, analistas levantam a "Tese do Cavalo de Troia" : um teatro de sombras onde o rompimento seria encenado. A lógica é fria: se Wilson Lima renunciar em abril de 2026 para disputar o Senado, Tadeu Souza assume o comando do Estado. Estaria David fustigando Tadeu apenas para garantir que Wilson Lima continue confiando no vice até o momento da sucessão? Se essa tese se concretizar, Tadeu se configuraria como um "aliado infiltrado", assumindo a máquina estadual com a missão de favorecer o projeto eleitoral de David Almeida.
V. O "SILÊNCIO ESTRATÉGICO" SOBRE EDUARDO BRAGA: O Cálculo da Sobrevivência
Enquanto a retórica de David Almeida atingia patamares de agressividade sem precedentes contra Omar Aziz, Wilson Lima e Tadeu Souza, um nome foi notavelmente poupado de qualquer estocada: Eduardo Braga (MDB) . Este silêncio não parece ser um lapso de memória, mas sim um cálculo frio e pragmático de quem sabe que, para enfrentar o "sistema" estadual, precisará de uma retaguarda robusta em Brasília.
· A Chapa de "Dois Senadores": Com duas vagas em disputa para o Senado Federal em 2026, o xadrez político permite composições que seriam impossíveis em anos de vaga única. Ao lançar antecipadamente o vice-prefeito Marcos Rotta (Avante) para uma dessas cadeiras, David ocupa seu espaço de confiança, mas deixa a segunda vaga como o "grande prêmio" para uma aliança estratégica. A omissão de críticas a Braga sugere que este espaço já pode ter dono.
· O Ativo do MDB Nacional: Eduardo Braga não é apenas um senador; ele representa a estrutura do MDB, um partido com tempo de TV, fundo partidário volumoso e trânsito livre nos Ministérios. Para um candidato que se proclama "independente" e "sem patrão", ter o suporte de Braga significa não ficar isolado financeiramente e garantir que sua voz continue sendo ouvida nos centros de poder nacional, onde o senador do MDB transita com maestria.
· Isolando o Inimigo Comum: Ao concentrar os ataques em Omar Aziz e poupar Braga, David Almeida aplica a tese de "dividir para conquistar". Ele tenta isolar Aziz de seu aliado histórico, criando um ambiente onde o MDB pode ver na chapa de David um caminho mais seguro para a reeleição de Braga, especialmente se o grupo de Wilson Lima insistir em lançar nomes próprios que concorreriam diretamente pela mesma vaga.
O silêncio sobre Braga é, em última análise, o reconhecimento de que na guerra política amazonense, ninguém sobrevive apenas com "coragem e coração"; é preciso ter munição pesada, e Eduardo Braga detém um dos maiores arsenais partidários do país.
VI. A CRÍTICA DA OPOSIÇÃO: "Venda Moral" e Vitimização como Escudo
O contraponto mais contundente ao espetáculo político de David Almeida veio da Assembleia Legislativa (ALEAM). O deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) , voz persistente na fiscalização das gestões estadual e municipal, trouxe o que chamou de "balde de água fria" à narrativa do Prefeito. Para Barreto, o que o Amazonas assistiu não foi o nascimento de uma candidatura de princípios, mas uma manobra de "vitimização estratégica" para evadir-se de responsabilidades administrativas e, principalmente, do cerco das investigações policiais.
· A Conveniência do Silêncio e o Fluxo de Caixa: A análise de Barreto atinge o cerne da coerência política. Ele sustenta que o distanciamento de David em relação ao governador Wilson Lima não nasceu de uma epifania ética, mas do esgotamento de recursos financeiros. "Calou-se porque era conveniente enquanto o dinheiro suado do povo do Amazonas entrava nos cofres da prefeitura por meio de convênios. Quando acabou o dinheiro, acabou a parceria" , disparou o parlamentar. Segundo essa tese, a "venda moral" caiu apenas quando o caixa municipal sentiu o peso da ausência de novos repasses estaduais.
· A Narrativa como Antecipação ao "Temporal": Para a oposição, ao se declarar "intimidado" e "perseguido" no exato momento em que a Operação Erga Omnes atinge seu círculo íntimo, David Almeida estaria criando um álibi preventivo perante a opinião pública. Ao rotular as instituições policiais e seus antigos aliados como "tiranos", o prefeito tenta deslegitimar antecipadamente qualquer prova que venha a surgir no inquérito que apura movimentações de R$ 70 milhões ligadas a facções criminosas.
· O Risco da Omissão Seletiva: Wilker Barreto critica a tentativa de David de "apagar da memória" da população a simbiose que manteve com o Governo do Estado nos últimos três anos. Para o deputado, é incoerente que o Prefeito aponte falhas graves na gestão estadual apenas agora, após ter sido o principal beneficiário político e financeiro dessa mesma gestão. O "temporal" jurídico previsto por Barreto sugere que o discurso de David será testado não apenas nos palanques, mas nos autos processuais que ainda estão por vir.
VII. O TERMÔMETRO DAS RUAS: Quem Corre por Fora no Vácuo do Poder?
Nesta guerra de aniquilação travada entre os grandes grupos, o vácuo de representatividade favorece quem preservou sua imagem do tiroteio. Contudo, é no tabuleiro do Senado que o jogo ganha contornos de sobrevivência extrema. Diferente de Omar Aziz, que possui o conforto de mais quatro anos de mandato e disputa o Governo do Estado com "risco zero", Eduardo Braga e Plínio Valério enfrentam o encerramento de seus mandatos em 2026. Para eles, a eleição é o divisor entre a permanência no poder ou a aposentadoria política.
Por outro lado, enquanto os protagonistas do embate se ocupam em disparar "metralhadoras" de acusações mútuas, o eleitorado, frequentemente exausto da polarização e dos escândalos, tende a buscar refúgio em candidaturas que se mantiveram fora do raio de alcance dos estilhaços.
· Eduardo Braga (MDB) – O Silêncio do Estrategista: Poupado pela "metralhadora" de David Almeida, Braga joga parado, observando o desgaste de Omar Aziz. Ao não ser alvo das críticas do Prefeito, Eduardo Braga posiciona-se para ser o "Senador da Aliança" na chapa de David. Ele traz consigo o peso do MDB e o pragmatismo de quem sabe que, para renovar o mandato, precisará de uma estrutura municipal forte em Manaus e de um palanque majoritário que o proteja das ondas de rejeição que atingem o Governo do Estado.
· Plínio Valério (PSDB) e a Estabilidade do Senado: No tabuleiro da Câmara Alta, o cenário é ainda mais nítido. Enquanto Braga é o mestre da articulação de bastidores, Plínio Valério consolida-se no imaginário popular pelo contraste. Longe das acusações de coação, "notas de 300" ou envolvimento com o "temporal" da Operação Erga Omnes, Plínio marca território como o nome da ética e da estabilidade. Para o eleitor que busca um senador que foque no mandato e não nas querelas de palácio, Plínio surge como o refúgio necessário. Sua reeleição tende a crescer organicamente à medida que os outros nomes se desgastam no embate policial e jurídico.
· Maria do Carmo (PL) e a Ascensão pela Ordem - Terceira Via: No campo do Executivo, Maria do Carmo personifica a imagem da "ordem". Com os grupos divididos pela nova postura beligerante de David, ela tem a oportunidade real de atingir seu pico de intenções de votos na pré-campanha. Ela pode capturar o eleitor conservador que está farto do entrelaçamento de notícias policiais com a gestão pública, apresentando-se como a única via de renovação real e segura. Os grupos que detêm a máquina pública estão divididos e desgastados por investigações que tocam temas sensíveis como a segurança pública e o crime organizado. Neste ponto, a pré-candidata Maria do Carmo (PL) posiciona-se em um campo estratégico, por isso, ela pode surgir como a alternativa ética e estável, capturando o espólio político de eleitores que se sentem órfãos de uma liderança sem máculas. Só depende agora da capacidade política dela!
· A Necessidade do Diagnóstico Quantitativo: Este momento exige, mais do que nunca, pesquisas de opinião rigorosas. É fundamental entender se a "metralhadora" de David Almeida gerou a empatia da vitimização ou a repulsa pela agressividade. O crescimento de quem "corre por fora" será proporcional ao tamanho da rejeição que os brigões acumularem nesta troca de “chumbo grosso”. Na política, quando os gigantes se cansam, a vez é de quem soube esperar com a imagem preservada.
VIII. CONCLUSÃO: O Destino nas Mãos do "Temporal" e das Urnas
O Amazonas ingressa em 2026 sob uma densa nuvem de incertezas. A "metralhadora" disparada por David Almeida não foi apenas um grito de independência; foi uma aposta de altíssimo risco que pode resultar em sua libertação política ou em seu isolamento absoluto. Ao romper com Wilson Lima e Omar Aziz, David Almeida não apenas abriu mão de vultosos convênios e apoio federal, mas também convidou as instituições de controle a um exame minucioso de cada ato de sua gestão, retirando o "escudo" político que as alianças tradicionalmente conferem.
O desfecho desta crise depende agora de duas frentes distintas e implacáveis. Na frente jurídica, a Operação Erga Omnes ditará o ritmo dos próximos meses. Se o "temporal" previsto por Wilker Barreto se confirmar com provas robustas, a narrativa de vitimização de David Almeida poderá ruir diante dos autos processuais, transformando o "Davi" que enfrenta o sistema em um gestor acuado por evidências. Por outro lado, na frente política, o sucesso da estratégia do Prefeito depende de sua capacidade de converter o barulho das acusações em empatia popular, apresentando-se como o único líder capaz de enfrentar um sistema que ele mesmo ajudou a sustentar e alimentar até pouco tempo atrás.
Neste "efeito granada" , onde as alianças de infância foram, aparentemente, sacrificadas e os fiadores de ontem tornaram-se os tiranos de hoje, a única certeza é a volatilidade extrema do tabuleiro. Como em toda briga de gigantes, sabe-se como o conflito começou, mas o cenário final é um enigma absoluto. A história ensina que, em guerras de desgaste dessa magnitude, o eleitorado costuma punir o agressor e o agredido, buscando refúgio na sobriedade de quem ficou fora do alcance dos estilhaços. É neste vácuo que nomes como Maria do Carmo ou Plínio Valério podem ser coroados pelo cansaço do eleitor, emergindo como portos seguros em meio ao oceano de denúncias.
Entretanto, a verdadeira "pá de cal" nesta disputa pode vir da nacionalização do pleito. Se a Família Bolsonaro decidir "entrar de cabeça" na campanha de Maria do Carmo, o cenário de 2026 poderá registrar um feito histórico. O eleitorado de direita que ainda oscila entre as máquinas públicas municipais e estaduais tende a se unificar sob o selo do “22”. Com o apoio direto do Capitão, seus filhos e a força de Michelle Bolsonaro junto ao público feminino, Maria do Carmo não apenas consolidaria seu pico de votos, mas teria chances reais de tornar-se a primeira mulher eleita governadora do Amazonas , capitalizando a rejeição aos caciques tradicionais.
Contudo, a política é pragmática. Se Maria do Carmo não "decolar" e consolidar-se entre os dois nomes mais votados nas pesquisas de intenção de voto, o PL certamente terá outra personalidade política "na agulha". A direita conservadora, fortalecida pelo sentimento antissistema, não aceitará ficar fora da disputa principal de 2026. Se o nome atual não ganhar tração, o partido deverá acionar seu plano de contingência para garantir que o "22" esteja no centro da polarização. Quem será?
Por fim, para David Almeida, o dado está lançado. Ele não disputará em 2026 apenas ao comando do Palácio da Compensa, mas a própria sobrevivência de sua biografia política. Em um jogo onde "metralhadora contra metralhadora" é a regra, o risco é que, ao final do tiroteio, a população perceba que as pontes mais sólidas do Estado não foram derrubadas por ideais, mas implodidas por conveniência. O Amazonas assiste, perplexo, a este capítulo de incertezas, sabendo que, após a explosão das pontes, o caminho de volta raramente existe.
NOTAS E REFERÊNCIAS CITADAS
[1] Portal David Almeida (2024): "Com trabalho, coragem e coração, começa campanha David Almeida em Manaus" . Matéria publicada em 3 de agosto de 2024, destacando o PSD de Omar Aziz e o MDB de Eduardo Braga como "fiéis aliados" na convenção municipal.
[2] Operação Erga Omnes (2026): Inquérito conduzido pela Polícia Civil do Amazonas (24º DIP), sob coordenação do delegado Marcelo Martins. Investiga crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e o suposto "núcleo político" de facção atuante no estado.
[3] Coletiva de Imprensa (23/02/2026): Pronunciamento oficial de David Almeida no lançamento de sua pré-candidatura, onde utilizou a expressão "nota de 300 reais" para deslegitimar a ação policial e acusou o senador Omar Aziz de tentativa de intimidação.
[4] Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM): Pronunciamento do deputado estadual Wilker Barreto em 24 de fevereiro de 2026. Análise crítica sobre a "venda moral" e a conveniência financeira dos convênios entre Prefeitura e Governo do Estado.
[5] Programa Asfalta Manaus / Convênios Institucionais: Acordos firmados entre o Governo do Amazonas (Gestão Wilson Lima) e a Prefeitura de Manaus entre 2022 e 2024, que totalizaram repasses bilionários para infraestrutura urbana.
[6] Linha de Sucessão Estadual: Constituição do Estado do Amazonas, art. 52. Estabelece que, em caso de renúncia do Governador para disputa de outro cargo (desincompatibilização), o Vice-Governador assume a chefia do Poder Executivo de forma definitiva.
(*) Cristão Evangélico; Doutorando em Teologia pelo Instituto Logos; Consagrado ao Ofício Diaconal pela Igreja Batista em Dom Pedro; Formado em Direito pela UFAM; Pós-Graduado em Direito Civil e Processo Civil; Ex-Presidente da Comissão da Advocacia Pública e Ex-Membro da Comissão de Apoio Institucional à Gestão Pública da OAB/AM; Ex-Juiz Classista da Justiça do Trabalho; Ex-Secretário Parlamentar do Gabinete da Presidência da CMM; Ex-Assistente Técnico da Diretoria das Comissões Parlamentares da CMM; Ex-Procurador-Geral da CMM; Ex-Diretor-Geral da CMM; Ex-Chefe da Consultoria Técnico-Legislativa e Ex-Subsecretário-Chefe da Casa Civil do Governo do Estado do Amazonas. Agraciado com as Medalhas Cândido Mariano, Tiradentes (Polícia Militar), Altair Ferreira Thury (Câmara Municipal de Manaus) e Ruy Araújo (Assembleia Legislativa do Amazonas). CAC e Antigomobilista. Atualmente é Procurador de Carreira de 1ª Classe da Câmara Municipal de Manaus, Advogado militante, Corretor, Apresentador do Podcast “Lei é Lei” e Articulista do Portal do Holanda.
Silvio da Costa Bringel Batista
(*) O autor é Cristão Evangélico, Doutorando em Teologia pelo Instituto Logos, Consagrado ao Ofício Diaconal pela Igreja Batista em Dom Pedro, Formado em Direito pela UFAM, Pós-Graduado em Direito Civil e Processo Civil, Procurador da Câmara Municipal de Manaus, Advogado, Presidente da Comissão da Advocacia Pública e Membro Titular da Comissão de Apoio Institucional à Gestão Pública da OAB/AM, Corretor de Imóveis, CAC, Antigomobilista, Apresentador do Podcast “Lei é Lei”, ex-Juiz Classista da Justiça do Trabalho, ex-Procurador-Geral da CMM, ex-Diretor-Geral da CMM, ex-Chefe da Consultoria Técnico-Legislativa e ex-Subsecretário Chefe da Casa Civil do Governo do Estado do Amazonas.
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