DACAR, 11 Ago (Reuters) - O surto de Ebola em curso na República Democrática do Congo envolve uma variante até então desconhecida da rara espécie Bundibugyo do vírus, indicando que ele se originou de uma nova transmissão de animais para humanos, e não de variantes ligadas a surtos anteriores, segundo um novo estudo.
Pesquisadores do Congo, de Uganda, da Bélgica e de outros países analisaram a composição genética de amostras do vírus coletadas de 22 pacientes no Congo e em Uganda e descobriram que a cepa do surto era geneticamente distinta dos vírus Ebola do tipo Bundibugyo observados em surtos anteriores, em 2007 e 2012.
Os resultados, publicados nesta segunda-feira na revista Nature Medicine, sugerem que o surto teve início com um novo evento de transmissão de animais para humanos e, em seguida, se espalhou entre as pessoas.
O estudo não identificou a origem animal do surto, mas sabe-se que os vírus do Ebola se transmitem periodicamente de animais infectados para seres humanos.
A análise genética ajudou a confirmar que os casos detectados em Uganda estavam ligados ao surto no Congo.
Os autores do estudo afirmaram que um acesso mais amplo a testes e ao sequenciamento do vírus poderia ajudar a detectar surtos futuros de Ebola mais cedo e melhorar os esforços para contê-los.
Não há vacina ou tratamento aprovado para o surto de Bundibugyo, embora vacinas e tratamentos candidatos estejam em desenvolvimento.
O surto foi declarado em 15 de maio e já ultrapassou 2.000 mortes, com 4.381 casos confirmados até o momento, de acordo com os dados mais recentes do governo.
(Reportagem de Clement Bonnerot)



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