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Insônia pode aumentar em quase 70% o risco de infarto

Insônia pode aumentar em quase 70% o risco de infarto
Insônia pode aumentar em quase 70% o risco de infarto

Distúrbios do sono vêm cada vez mais sendo associados a problemas metabólicos e no coração. Estudos reforçaram o risco ao concluirem que pessoas que dormem cinco horas ou menos por noite têm uma chance 69% maior de ter um infarto do que aquelas que não sofrem com a insônia. 

Segundo o Uol, para chegarem à conclusão, pesquisadores revisaram mais de 1.200 estudos observacionais publicados entre 1998 e 2019. Os artigos avaliaram a associação da insônia com o infarto do miocárdio e, após a exclusão dos vieses, nove estudos foram selecionados para a análise final.

Mais de 1 milhão de pessoas com idade média de 50 anos foram incluídas (aqueles que sofriam de apneia do sono, um fator de risco conhecido para problemas cardíacos, foram excluídas da análise). Dessas, mais de 153 mil tinham insônia. Problemas cardiovasculares são a principal causa de mortalidade no mundo e vários estudos já demonstraram que mais de 80% das doenças poderiam ser evitadas com a adoção de um estilo de vida saudável e gerenciamento adequado dos fatores de risco conhecidos.

A Associação Americana do Coração incluiu em 2022 o sono de qualidade como um dos oito itens essenciais para a saúde do coração. Assim, ele se somou a outros fatores importantes para o check-list da saúde cardíaca ao lado de itens como exposição à nicotina, atividade física, alimentação, peso, glicemia, colesterol e pressão arterial.

O sono é importante não apenas para descansar, mas para também fazer a regulação do organismo em geral. É durante o sono que o organismo se organiza para realizar uma série de processos metabólicos e hormonais necessários para o sistema cardiovascular.

Segundo a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein, a insônia altera o eixo neuro-hormonal, que envolve o hipotálamo (região do encéfalo responsável, entre outras funções, pela produção de hormônios) e as glândulas adrenal e pituitária, que produzem hormônios relacionados a nossa atividade diária e são responsáveis também pela produção do cortisol, conhecido como "hormônio do estresse". O cortisol aumentado acelera o processo de aterosclerose, que é a formação de placas de gordura no interior das artérias que culminam no infarto agudo do miocárdio. 

A especialista explica que o cortisol aumenta no organismo em situações de estresse, luta e fuga e, também, devido à insônia. "Alguns estudos prévios já mostraram que os pacientes que infartam apresentam previamente ao evento elevações dos níveis de cortisol. Como a insônia é uma situação que altera esse eixo neuro-hormonal e também eleva os níveis do cortisol, surgiu a hipótese de correlação com eventos cardiovasculares", afirmou a cardiologista.

Soares ressaltou, ainda, que as pessoas devem ficar atentas à qualidade do sono. "Tradicionalmente, as pessoas se preocupam com a pressão arterial, com a alimentação, com o peso, com o colesterol, mas poucas vezes se preocupam com o sono. E cada vez mais a ciência mostra a importância de termos um sono de qualidade para a saúde como um todo", finalizou a cardiologista. 

 

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