Um levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) mostrou que a cada dia, 145 mulheres são internadas no Brasil para tratamento de varizes, que são veias dilatadas e tortuosas que se desenvolvem abaixo da pele. O cálculo, feito com base em dados do Ministério da Saúde (MS) mostra ainda que a cada hora, em média, seis mulheres são submetidas a cirurgias para tratar do problema apenas na rede pública.
Sem dados dos atendimentos no estado, a cirurgiã vascular Stefany Coutinho, da SBACV no Amazonas afirma que esses números podem ser reflexo da demanda reprimida de casos pela suspensão dos procedimentos eletivos na pandemia de covid-19.
No Brasil, 45,8 mil mulheres foram internadas por varizes em 2022, de acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), apontando um aumento de 103,4% em comparação ao ano anterior, quando 22,5 mil mulheres foram internadas pelo problema na rede pública. O número ainda é 26% menor que a média de procedimentos que foi notificada nos anos anteriores.
“Os números do país são altos, mas ainda assim temos que pensar em muitos casos reprimidos durante a pandemia e que podem ainda não ter sido tratados", afirma a médica.
Segundo ela, a incidência é maior em mulheres, a partir dos 40 anos de idade, e representam aproximadamente 70% dos pacientes com algum grau de insuficiência venosa (varizes), a maioria causada por fator genético, já que elas têm histórico familiar.
O levantamento mostra que as varizes são amplamente mais comuns em mulheres, em uma série histórica analisada, entre 2013 e 2022, 76% dos 695 mil casos registrados foram em pessoas do sexo feminino, totalizando 529 mil mulheres submetidas ao tratamento nos últimos dez anos.
Os fatores de riscos mais comuns associados são obesidade, o sedentarismo, uso de hormônios e anticoncepcionais capazes de aumentar a incidência das varizes que, dependendo da fase em que se encontram, podem ser de pequeno, médio ou de grande calibre. As veias mais acometidas são as dos membros inferiores: nos pés, pernas e coxas.
Stefany observa que a estatística divulgada pelo Ministério da Saúde mostra apenas as pacientes que foram hospitalizadas, mas hoje há uma tendência entre os médicos especialistas a priorizar o tratamento ambulatorial, evitando a hospitalização das pacientes.
“Isso tem sido possível porque a medicina evoluiu e as técnicas permitem tratamentos minimamente invasivos”, explica a cirurgiã, destacando que há um número grande de pacientes atendidos nos consultórios de Angiologia e Cirurgia Vascular, onde muitos desses procedimentos, após consulta e avaliação com ultrassom doppler, são feitos de forma segura e evitam cirurgias”, finaliza.

