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Estudo mostra 15 fatores de risco para demência precoce; veja

Por Portal Do Holanda

02/02/2024 21h13 — em
Saúde e Bem-estar


Foto ilustrativa: Divulgação / Pixabay

Um novo estudo publicado pelo periódico científico Jama Neurology identificou 15 fatores que aumentam o risco de desenvolvimento de demência precoce. Conforme o estudo, alguns deles é possível prevenir. 

Estudo - Os pesquisadores das universidades de Maastricht, na Holanda, e de Exeter, no Reino Unido, acompanharam cerca de 365 mil voluntários, com menos de 65 anos e sem diagnóstico prévio de demência, por mais de uma década. Eles passaram por exames e questionários para coleta de dados sobre seu estado clínico e hábitos de vida. 

Durante o estudo, os pesquisadores elencaram 39 potenciais fatores de risco para a demência e investigaram quais deles estariam mais relacionados à manifestação precoce da doença. Em 2021, no final do monitoramento dos voluntários, foram observados 485 casos de demência precoce. Com base nesta análise, foram selecionados 15 fatores de risco para o desenvolvimento precoce da doença. 

Entre os fatores, estão:

-Baixa escolaridade: Pessoas que tiveram pouco ou nenhum acesso à educação formal. Segundo o neurologista Paulo Caramelli, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, a educação “aumenta a reserva cognitiva, que é a capacidade do cérebro de fazer frente aos danos que sofre ao longo da vida”. Para os especialistas, é possível manter os estímulos cognitivos na idade adulta por meio de novos aprendizados como um idioma ou instrumento musical, entre outros. 

-Baixo nível socioeconômico: Pessoas com menor renda e que vivem em condição de maior vulnerabilidade sofrem com privações que também podem aumentar o risco de demência precoce. Uma delas é a própria dificuldade de acesso à educação formal, mas há outros problemas associados. “Esse grupo tem menos recursos educacionais, mas também uma alimentação pior e maior dificuldade para controlar as doenças crônicas”, diz o psiquiatra Jerson Laks, pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

-Diabetes: Provoca alterações metabólicas e vasculares que podem causar danos às células cerebrais mesmo que não haja sintomas ou um evento de maior gravidade, como AVC. O diabetes e outras doenças crônicas aumentam o risco de problemas na chamada microcirculação, que levam a lesões nas células do cérebro.

-Doença cardíaca: A doença cardíaca prejudica a circulação e pode favorecer o aparecimento da demência precoce. Estudos já demonstraram que ela pode reduzir o fluxo  sanguíneo para o cérebro, aumentando o risco de lesões. A OMS recomenda medidas como a prática de atividades físicas por ao menos 150 minutos por semana, além de uma dieta saudável rica em verduras e frutas, e com baixa ingestão de sal e gordura.

-Acidente vascular cerebral (AVC): O AVC interrompe a circulação sanguínea em parte do cérebro seja por meio do entupimento de um vaso (AVC isquêmico) ou rompimento do mesmo (AVC hemorrágico). Em ambos os casos, há lesão cerebral e morte neuronal, o que aumenta o risco de demência. Para prevenir é preciso controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol. 

-Pressão baixa ao levantar-se: Outro fator de risco é a hipotensão ortostática, também conhecida como postural, que é definida pela queda de pressão arterial quando estamos deitados ou sentados e nos levantamos. Segundo Caramelli, quando há queda de pressão, ocorre a redução do fluxo sanguíneo para o cérebro, o que também pode contribuir para lesões cerebrais

-Alcoolismo: O uso abusivo e frequente de álcool é outro fator que lesiona as células cerebrais e aumenta o risco de demência precoce, pois o álcool pode causar deficiência de tiamina (também chamada de vitamina B1), fundamental para a manutenção de algumas funções cognitivas. A falta da tiamina pode levar à síndrome de Wernicke-Korsakoff.

-Não consumo de álcool: A total abstinência de álcool também aparece no estudo como um dos fatores de risco para a doença, mas é preciso ter atenção. “Abstêmios têm mais probabilidade de não consumir álcool devido a má saúde ou uso de medicamentos”, destacam os cientistas no artigo publicado no Jama Neurology. Com isso, o não consumo de álcool pode ser apenas um indicador de que a pessoa sofre de outros problemas de saúde que aumentam o risco de danos cerebrais.

-Isolamento social: Segundo os pesquisadores, participantes que visitavam amigos ou familiares uma vez por mês ou menos tinham uma associação maior com demência de início precoce do que pessoas que visitavam amigos ou familiares mais frequentemente.

-Depressão: A depressão costuma levar a um maior isolamento social que é um fator de risco para demência pela queda de estímulos cognitivos.

-Deficiência auditiva: Segundo Caramello, a pessoa com deficiência auditiva é privada de estimulação cognitiva, participa menos de conversas, interage menos e, progressivamente, vai ficando mais isolada.

-Força nas mãos reduzida: Segundo especialistas, esse é um indicador importante sobre o nível de força física, reserva muscular e estado de saúde geral. Os que têm melhor força de preensão palmar costumam ser aqueles que praticam mais atividade física, essencial na prevenção de eventos cardiovasculares, que aumentam o risco de lesões no cérebro.

-Deficiência de vitamina D: Níveis muito baixos de vitamina D - abaixo de 10 ng/ml - foram associados a um maior risco de demência precoce. Segundo os pesquisadores, o composto age como um neuroesteroide (espécie de hormônio) que nos protege de processos neurodegenerativos.

-Altas níveis de proteína C-reativa: A proteína C-reativa (PCR) é produzida pelo fígado e pode ter seus níveis medidos por meio de um exame de sangue. Ela costuma ser usada como um marcador de processos inflamatórios. Segundo os pesquisadores, estaria relacionada a mais eventos cardiovasculares, daí sua associação com maior risco de demência. No entanto, não há comprovação se está ligada a um risco da doença, e mais estudos precisam ser feitos.

-Portar variante específica do gene Apolipoproteína E (Apoe): Esse é o único fator de risco incluído na lista dos pesquisadores que é de natureza genética. Pessoas que possuem o gene Apolipoproteína E (Apoe) com dois alelos (variantes) do tipo ε4 têm maior probabilidade de desenvolver demência precoce. Esses alelos favorecem a formação de placas de proteína beta-amiloide no cérebro, uma das principais características da doença de Alzheimer.


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O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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