O Transtorno do espectro autista apresenta vários graus e sua identificação pode passar despercebida sem a devida atenção. Sem o diagnóstico, muitas pessoas não recebem o amparo necessário para viver melhor com a condição e passam anos lutando contra algo que não sabem o que é, se sentindo deslocados e sem entender o problema.
Fernanda Brandalise, foi diagnosticada aos 27 anos e conta que "sem o diagnóstico, nossas diferenças não são identificadas como sintoma do autismo, e sim classificadas como características pessoais. Ficam achando que somos apenas esquisitos", contou ao VivaBem.
A falta de acesso a informações, condições financeiras e emocionais dos pais são as principais causas do diagnóstico tardio. A maior parte deles é relacionada a casos leves de autismo, em pessoas que não manifestam prejuízo intelectual e conseguem levar uma vida autônoma. Eles aprendem a lidar com a condição e só procuram ajuda quando alguém lhes pergunta sobre a falta de habilidade social ou os poucos amigos.
"O adulto que não sabe que se enquadra no espectro já entendeu como camuflar sua condição e encontrou jeitos de se encaixar no convívio social de maneira a minimizar seus sintomas", disse Joana Portolese coordenadora do Programa de Transtornos do Espectro Autista do Hospital das Clínicas.
Entre os principais sintomas em adultos autistas estão a dificuldade na socialização, com prejuízo na compreensão de dicas sociais. Também há um déficit na comunicação verbal e não verbal, além da dificuldade para compreender aquilo que é dito de forma não explícita.
O diagnóstico de autismo é importante para obter uma estrutura adequada para o desenvolvimento, sem isso a pessoa acumula prejuízos sociais e educacionais que podem desencadear outros transtornos.
"Quando a pessoa descobre que é autista, ela se conhece melhor e passa a entender as limitações com as quais vem lidando. Dar um nome à condição também facilita o acesso a informações e propicia a inclusão da pessoa em um grupo, onde ela encontra seus similares e conversa com outras pessoas que vivem como ela. Por isso o diagnóstico tardio costuma ser libertador e trazer autoconhecimento", completou Joana.


