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Volta às aulas com ‘uniforme’ novo: cabelos coloridos

RIO - Volta às aulas é tempo de renovar o estoque de material escolar, os livros da prateleira - e a cor do cabelo. De preferência, com as tonalidades mais inusitadas possíveis. Na porta de colégios cariocas, como o Pedro II, no Humaitá, é possível identificar fios azuis, rosas e roxos. A tendência que tem feito a cabeça de crianças e adolescentes conquistou até mesmo quem já deixou há algum tempo os bancos escolares, como o funcionário público Marcelo Tuber, que adotou, como o personagem dos contos de fada, a barba azul. Destaque nas ruas, ele aposta que fará ainda mais sucesso nos blocos de carnaval.

Marcelo preferiu ir à barbearia e investiu R$ 100 para mudar o visual, mas, na porta dos colégios do Rio, a garotada tem apostado em soluções caseiras, e mais em conta. A estudante Ayana Dias, de 15 anos, que cursa o ensino médio no Colégio Pedro II, do Humaitá, conta que deixou suas madeixas azuladas com um tonalizante, que custa entre R$ 20 e R$ 30. O efeito dura cerca de três semanas.

Pesquisando na internet, a adolescente descobriu um jeito mais barato de manter os fios coloridos. E, ainda por cima, mais duradouro. Segundo ela, o truque - que passa longe de controle especializado ou dermatológico - tem sido usar anilina de madeira, que pode ser encontrada em papelarias e lojas de artesanato a preços que variam entre R$ 2 e R$ 5.

- Basta dissolver parte do conteúdo do pote de anilina em álcool e adicionar hidratante capilar de cor branca. Eu misturo bem e aplico no cabelo, mecha por mecha. Deixo agir por 40 minutos e depois lavo o cabelo. A coloração dura um mês - garante Ayana, que levou um tempo para ter a aprovação materna. - No início, minha mãe não gostou. Mas, agora, ela acha legal.

Colega de Ayana, Laura Mello, de 16 anos, ostenta mechas rosas nas pontas do cabelo, colorido com anilina. Ela não esconde o efeito colateral desagradável da técnica caseira:

- É preciso enxaguar bastante depois de passar o produto. A água tem que sair do cabelo transparente. Já sujei meu travesseiro de rosa - diz a jovem, que tem cabelos castanhos e precisou descolorir os fios antes de aplicar a tonalidade.

Tirar as manchas coloridas das roupas e fronhas é difícil, mas não tanto quanto, em alguns casos, convencer os pais sobre a nova moda. A estudante Luna Pagy, de 12 anos, do colégio Notre Dame, no Recreio, diz que foram seis meses de argumentação em casa até conseguir pintar o cabelo de verde:

- Levei um tempão para convencer minha mãe. Ela tinha medo de que eu virasse gótica. Disse a ela que não, nem gosto de usar preto.

Para quem tem dificuldade em convencer os pais, a colorista Lucia Alfredo, do salão Werner do Centro - onde a tintura colorida custa entre R$ 141 e R$ 152 - diz que para tudo há um jeito.

- Em lojas especializadas, há produtos, como sprays e pós, que saem após uma boa lavagem.

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