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Sítio de Burle Marx concorre a Patrimônio Mundial da Unesco

RIO - Um lugar onde só se ouve o canto dos pássaros, as quedas d’água e o barulho do vento batendo nas folhas. O sítio Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste, é daqueles locais raros, mas que ainda não tem todo o reconhecimento que merece. A situação pode mudar em breve. O refúgio, onde o paisagista paulistano viveu por mais de 20 anos, e que servia de inspiração para seus trabalhos, se candidatará a Patrimônio Mundial da Unesco, como informou a coluna Gente Boa, do GLOBO.

Não faltam motivos para o título. O sítio foi o local onde Burle Marx, autor do desenho do calçadão de Copacabana e do paisagismo do Parque do Flamengo, fez suas experiências botânicas, aclimatando ou domesticando espécies oriundas de suas expedições, como bromélias e aráceas. O paisagista visitou estados como Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Amazonas, além de lugares em todo o mundo, como Porto Rico, Haiti, Havaí e Equador, em busca de novas plantas tropicais que pudessem ser utilizadas em seus projetos.

— O sítio tem mais de 3.500 espécies, algumas ameaçadas de extinção. Coleções vivas em jardins botânicos, como o do Rio, têm até um número maior. Mas a nossa não é uma coleção qualquer. É ligada à carreira, à memória e a tudo que ele construiu — destaca Marlon da Costa, paisagista e chefe da divisão técnica do sítio Roberto Burle Marx.

A candidatura, já pré-selecionada pela Unesco, está em fase de elaboração do dossiê, que será complementado ao longo do ano que vem e apresentado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2019. O sítio e o seu acervo foram doados por Burle Marx ao órgão em 1985 e imediatamente tombados.

O terreno, hoje com 410 mil metros quadrados, que foi adquirido por Burle Marx em 1949, engloba um casarão de 500 metros quadrados, onde ele morava e colecionava cristais, conchas, arte sacra, popular e pré-colombiana. Há ainda um enorme jardim, sete lagos construídos por ele, seu ateliê de pintura, com quadros próprios, um salão e uma capela devotada a Santo Antônio da Bica, nome original do sítio.

O sítio receberá R$ 4,45 milhões do BNDES (via Lei Rouanet e fundo cultural do próprio banco) para um “banho de loja": vai digitalizar seu acervo botânico, bibliográfico, artístico e arquitetônico, além de investir em divulgação e licenciamento de produtos.

— O sítio tem um valor imaterial enorme porque representa o legado de Burle Marx, uma marca internacional, que atua em vários campos das artes. Dá um orgulho danado ter isso aqui no Rio e no Brasil. Resolvemos investir no projeto porque acreditamos que ele vai proporcionar um aumento grande do acesso e do interesse pelo sítio — explica Fernanda Farah, gerente do departamento de economia da cultura do BNDES.

O local é aberto a visitas guiadas de terça a sábado, às 9h30m e às 13h30m, mediante agendamento pelo telefone 2410-1412 ou pelo e-mail [email protected]. O ingresso custa R$ 10.

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