RIO — O Sindicato estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) criticou a decisão anunciada ontem pela Secretaria municipal de Educação de fechar, por tempo indeterminado, 15 escolas da comunidade do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio. Além dessas unidades, outras 11 unidades — duas no entorno do Jacarezinho e nove em Manguinhos — irão funcionar em horários alternativos para não expor os alunos a riscos de tiroteios. Segundo Marta Moraes, diretora da entidade, o sindicato reconhece o “desespero” da pasta, considerando o histórico recente de conflitos na região, mas reivindica decisões integradas entre município e estado, de curto e médio prazo, como o cumprimento da resolução que determina o fim de operações policiais em horário escolas, para solucionar o problema da violência na educação.
— A próxima medida será fechar todas as escolas em áreas conflagradas? A gente entende o desespero, a apreensão da Secretaria de educação em apresentar uma resposta, mas a SME não pode funcionar como uma secretaria de segurança — afirma Marta Moraes.
A diretora do Sepe pondera que não houve, ainda, uma proposta para a continuidade dos trabalhos acadêmicos dessas unidades. Segundo ela, a medida gera problemas em mães não terão onde deixar seus filhos para trabalhar. O sindicato levanta, também, a preocupação com o prejuízo ao calendário acadêmico.
— Não tem nenhuma proposta paliativa nesse momento. Por isso que a gente defende que essas propostas também sejam discutidas com a comunidade escolar. Os pais, os alunos, os professores precisam ser ouvidos. Vai penalizar depois esses professores e alunos nas férias deles. E essa história das 11 escolas de que diretores vão definir se as unidades fecharão ou não. Como assim? É muita responsabilidade nas costas de professores, diretoras que não têm formação em segurança — afirma Marta, reforçando a preocupação com a medida anunciada ontem pelo secretário Cesar Benjamin: — Nós recebemos de forma muito preocupada. Essa medida do secretário tem problemas porque vai ter 15 escolas fechadas. As mães vão deixar (os filhos) com quem? Nessas escolas fechadas temporariamente, temos creches, espaços de Desenvolvimento Infantil. Como esse processo vai se dar com as mães que trabalham? Isso vai afetar a aprendizagem. Estamos denunciando desde o ano passado que medidas profundas no sentido da segurança precisam ser adotadas pelo poder público. Precisa haver a união da prefeitura com a Secretaria estadual de Segurança pra medidas de média e curto e curto curto.
Ainda de acordo com Marta Moraes, o Sindicato estadual dos Profissionais de Educação pedirá uma audiência com o secretário estadual de Segurança, Roberto Sá, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e o titular da pasta de Educação, Cesar Benjamin. Na pauta, o Sepe quer reforçar o pedido pelo fim de ações policiais em horário escolar.
— Essa medida de não haver incursão policial foi apresentada pelo Sepe. No horário escolar, não pode haver incursão policial. Coloca a vida de todos em risco. Defendemos a falta de incursão da polícia em horário escolar. Não há nada que justifique tiroteio. As escolas estão em áreas conflagradas. Tem que haver investimentos em projetos sociais, cultura pra que essas crianças tenham alternativas de construção de uma vida melhor. Não vemos o investimento de cultura nessas áreas. São ruas sem luz, sem esgoto. Falta um trabalho sério da prefeitura nessas áreas. Tem de haver investimento grande na área social, pedagógica e cultura — acrescenta a diretora do Sepe.



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