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Secretário de Segurança acusa ex-vereador de Teresópolis de ameaça e registra queixa na Polícia

RIO - Em mais um capítulo da crise política no município de Teresópolis, na Região Serrana do Rio, o ex-secretário municipal de Segurança, Raphael Teixeira, acusou na tarde desta quinta-feira o ex-vereador e empresário Gérson Ribeiro, casado com a médica e vereadora Cláudia Laund, de ameaçá-lo. Raphael Teixeira esteve na 110ª DP (Teresópolis) para registrar uma queixa. O registro foi confirmado pela assessoria da Polícia Civil.

Segundo o ex-secretário, em entrevista a uma emissora de televisão local, Gérson, bastante irritado, teria afirmado: “Vou te encontrar na rua, bater nas suas costas e falar o que você precisa ouvir”, se referindo a Raphael Teixeira. Procurador pelo GLOBO, o ex-vereador Gérson negou as acusações.

— Não ameacei ninguém. Apenas, ao ser entrevistado, defendi minha esposa (vereadora Cláudia) vítima de gravações clandestinas. O prefeito Tricano e seus aliados estão produzindo factóides para desviar a atenção da população — afirmou Gérson, que cumpriu três mandados de vereador no município e há 20 anos se afastou da política: “ Eles não se conformam de ainda ser o vereador mais votado do município com 3.005 votos”.

A queixa foi apresentada no início da tarde desta quinta-feira, duas horas depois de uma sessão tumultuada na Câmara dos Vereadores aprovar, por 10 votos contra um, uma comissão processante para investigar supostas irregularidades cometidas pelo prefeito licenciado Mário Tricano (PP). Dos 12 vereadores da Casa, 11 estavam presentes na sessão. Um faltou.

— Agora a Comissão Processante, composta por três vereadores, terá 90 dias para apresentar um relatório que pode inocentar ou comprovar irregularidades do prefeito. Em última instância, o prefeito poderá ser cassado — afirmou o presidente da Câmara, vereador Pedro Gil de Paula (PP).

Raphael, em vídeo divulgado nas redes sociais, afirma que foi ameaçado após denunciar casos de corrupção na Câmara dos Vereadores. Segundo o ex-secretário, os vereadores querem cassar o Prefeito Mário Tricano porque ele não “paga propina e não deixa que eles indiquem empresas”.

— Como estamos mexendo com interesses escusos e sujos, isso está gerando ameaças — afirmou Raphael Teixeira em vídeo.

Cidade que mais trocou de prefeitos nos últimos seis anos no estado — foram cinco a ocuparem o cargo —, Teresópolis, município na Região Serrana com 134 mil habitantes, voltou foi sacudida por denúncias de corrupção esta semana. O prefeito licenciado Mario Tricano — que já foi condenado por improbidade administrativa e já respondeu por ligação com o jogo do bicho — acusou todos os 12 vereadores da Câmara de tentarem fraudar licitações, indicando os vencedores. Tricano entregou um dossiê ao Ministério Público estadual com gravações de conversas que ele e dois secretários municipais (um deles Raphael Teixeira) tiveram com quatro vereadores e um assessor parlamentar. Nos diálogos, sustenta, há provas de que ele estaria sendo chantageado para superfaturar compras. Os vereadores negam as acusações.

Tricano garante que o grupo falava em nome de toda a Câmara de Teresópolis. Procurados, os políticos denunciados pelo prefeito disseram que esperam ter acesso ao material entregue ao MP para apresentarem suas defesas.

As denúncias de Tricano foram entregues à Procuradoria-Geral de Justiça, na última quarta-feira. Nelas, ele imputa ao Legislativo local uma série de crimes, de associação criminosa à corrupção, passando por fraude e improbidade administrativa. Ao todo, são 20 páginas com trechos das transcrições de áudios. As gravações, na íntegra, também foram anexadas ao dossiê.

Na tarde desta quinta-feira, o MP informou que os promotores do Grupo de Atribuição Originária em Matéria Criminal (Gaocrim) instauraram um procedimento investigatório criminal para apurar todas as circunstâncias das denúncias encaminhas pelo prefeito. Na quarta-feira da semana passada, um dossiê com detalhes e transcrições dos áudios foi entregue ao do procurador-geral de Justiça, José Eduardo Gussem pelo prefeito. O MP revelou, em nota, que as investigações estão em segredo de justiça.

Licenciado por 120 dias, sob a alegação de problemas pessoais, Mario Tricano defende que, embora não tenha gravado todos os vereadores, a Câmara de Teresópolis está completamente envolvida nas tentativas de fraude:

— Não gravamos com todos, mas o material é suficiente para demonstrar a existência de uma associação criminosa que, segundo seus próprios integrantes, é composta por todos os vereadores de Teresópolis. Eles estavam tentando me chantagear. Queriam que eu aceitasse indicar as empresas vencedoras nas concessões — afirmou o prefeito.

O GLOBO teve acesso aos áudios. Neles, um dos vereadores gravados é Rocsilvan Rezende da Rocha (PSDB), conhecido politicamente como Rock. Ele conversa com o secretário de Segurança, Raphael Teixeira de Oliveira. O assunto é o excessivo gasto dos vereadores durante a campanha. Procurado em seu gabinete e por meio de seus assessores, o vereador não foi encontrado para falar das denúncias. Ontem, dia de sessão na Câmara dos Vereadores, Rock não compareceu. “(...) Ninguém tá aqui de graça não, meu filho. E ninguém defende ninguém de graça. Ele (Tricano) tem que abrir aquele coração senão eu vou ser franco contigo: vai ter cassação”, diz o vereador na conversa gravada.

Também foram gravados outros três vereadores: Luciano dos Santos Candido (PRB), pastor da Igreja Universal; Claudia Lauand (PP), médica há 24 anos no município; e José Leonardo Vasconcellos de Andrade (PMDB), formado em segurança do trabalho e administração pública. Todos negam as acusações.

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