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Sambistas prometem protesto contra decisão de Crivella de reduzir subvenção ao carnaval

RIO - Um dia depois de a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) afirmar que o carnaval de 2018 poderá ser inviável, caso o prefeito Marcelo Crivella mantenha a decisão de cortar pela metade a subvenção dada pela prefeitura às escolas de samba do Grupo Especial, carnavalescos e sambistas deixaram de lado as rivalidades históricas exibidas na Marquês de Sapucaí. Agora, numa harmonia rara de se ver na Avenida, dirigentes de agremiações, porta-bandeiras, rainhas de bateria e integrantes da Velha Guarda reagiram ao corte de R$ 13 milhões (que Crivella quer usar para dobrar o valor gasto com as 12 mil crianças matriculadas em 158 creches conveniadas com o município) e se juntaram para protestar. O bloco dos insatisfeitos ganhou força nas redes sociais — um cartaz com o símbolo de luto e a frase “não deixe o samba morrer” foi compartilhado diversas vezes pela turma do samba — e promete ganhar as ruas. Ou melhor, a porta da prefeitura, onde um grupo vai promover uma batucada, neste sábado à tarde, e, em seguida, seguir desfilando até o Sambódromo.

A manifestação “Sambando contra o corte do prefeito" foi convocada pela página no Facebook Sambistas da Depressão e até a noite desta quinta-feira já tinha mil adesões. A ideia dos organizadores é fazer barulho — eles prometem levar uma bateria completa para a porta da sede da administração municipal. Também pretendem levar a imagem de um diabo que fazia parte da comissão de frente do Salgueiro no último carnaval. A escola, não informou, no entanto, se vai liberar a alegoria. Já confirmaram presença Leonardo Bessa, um dos intérpretes do Salgueiro, a porta-bandeira portelense Vilma Nascimento e o carnavalesco Milton Cunha.

A presidente do Salgueiro, Regina Celi, que apoiou Crivella durante o segundo turno da eleição, postou nesta quinta numa rede social a imagem do cartaz com o símbolo de luto e a frase “vamos reagir". A rainha de bateria da vermelho e branco, Viviane Araújo, também se manifestou: “Um absurdo o que o nosso digníssimo prefeito, senhor Marcelo Crivella, quer fazer com as escolas de samba! Não podemos deixar”. O intérprete da azul e branca de Nilópolis, Neguinho da Beija-Flor, disse que em 41 anos de carnaval nunca viu uma situação parecida. Ele tem esperança de que tudo será resolvido para que o desfile de 2018 possa acontecer:

— O desfile é um patrimônio nacional. Cada escola emprega mais de 250 pessoas, mesmo que temporariamente. É uma indústria. Não acredito que o prefeito não tenha essa sensibilidade.

Integrante da Velha Guarda da Portela, Monarco defende que as agremiações e a prefeitura entrem em acordo:

— Eu acho que haverá uma boa saída para isso tudo. Esse moço (Crivella) tem que saber que escola de samba é a alegria do povo. Já pensou não termos Portela, Mangueira, Imperatriz, bem bonitas na Avenida ano que vem?

E não é só a Marquês de Sapucaí que poderá ter menos brilho em 2018. As agremiações do Grupo de Acesso também estão ameaçadas. A subvenção que a prefeitura dá às mais de 60 escolas que desfilam pelas séries B,C, D e E na Intendente Magalhães, em Campinhos, será reduzida. O percentual de corte ainda não foi comunicado.

— A Riotur já nos comunicou da redução. Só não informou de quanto será. O carnaval da Intendente Magalhães está totalmente parado — afirmou Sandro Avelar, presidente do Conselho Deliberativo da Liesb, a Liga das Escolas da Série B.

Ainda segundo o dirigente, a prefeitura até agora não lançou a licitação, que normalmente ocorre em abril, para instalação de som e montagem de arquibancada ao longo da Intendente Magalhães. De acordo com Avelar, a administração municipal ainda deve R$ 800 mil de 2017 desses grupos, que recebem entre R$ 45 mil e R$ 200 mil, cada.

— Se confirmada a redução, vamos discutir com a Riotur uma redefinição no nosso regulamento para reestruturar os quesitos de obrigatoriedade, como a exigência de número mínimo de alegorias).

A secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, postou nesta quinta em seu Facebook um posicionamento sobre a polêmica. Segundo ela, “ninguém está com dinheiro sobrando no bolso. Nem os cofres municipais. E ninguém, tenho certeza, ninguém no poder público municipal quer ver o carnaval do Rio sem o desfile das escolas do Grupo Especial. É preciso sentar e estudar toda a situação diante das restrições. Apontar possibilidades de reinvenção do desfile, buscar fontes diferenciadas e privadas de recursos (ainda que sem a garantia de que nessa crise vai ser possível obtê-los), olhar abertamente as planilhas de custos atuais das apresentações, construir sinergia e otimizar gastos".

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