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Rio já teve 80 PMs mortos e 261 feridos este ano

RIO - Com a morte do sargento da PM Nílton Carlos Alves de Oliveira, de 55 anos, na noite da última quinta-feira, num bar na Praça Passatempo, em Brás de Pina, na Zona Norte, subiu para 80 o número de policiais militares assassinados no Rio apenas nos primeiros seis meses deste ano, mais do que os 77 registrados em todo o ano passado. O sargento foi morto com mais de dez tiros, em seu dia de folga, ao reagir a uma tentativa de assalto, por volta das 22h. O caso é investigado pela Divisão de Homicídios (DH).

Dados repassados pela Polícia Militar revelam que 63 PMs da ativa (15 policiais estavam em serviço e 48, de folga) e 17 da reserva foram mortos este ano. O número de militares feridos também é alto: nos primeiros seis meses deste ano, foram 261 casos, incluindo PMs da ativa, de folga e reformados.

A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) afirmou que, dos 80 mortos, 19 estavam lotados em Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Os números de mortos, no ano passado, não foram informados pela CPP. Os crimes este ano aconteceram durante confrontos com traficantes ou grupos armados, que resultaram em 141 policiais feridos dessas unidades.

Para o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência (Uerj), o crescimento nas mortes de policiais tem alimentado um ciclo:

— O Rio tem uma polícia que mata muito e morre muito. A corporação tem um alto índice de letalidade e vitimização. Isso alimenta um ciclo de vingança. O policial acaba matando mais, e o bandido, por outro lado, executando mais policiais. Precisamos de um política de prevenção — afirmou Ignácio Cano.

O sociólogo lembrou também que, historicamente, o estado costuma registrar por ano mais de cem mortes violentas de policiais. Na conta, estão, além dos homicídios, os casos de acidentes e suicídios.

— Precisamos implantar políticas públicas para reduzir essas taxas. O Rio também precisa gerar protocolos para que não ocorram tantas mortes de policiais nas suas folgas, fora de seu serviço. Caberia uma série de ações para tentar prevenir — disse o sociólogo.

Em São Gonçalo, um PM identificado como Douglas Santos da Silva, de 27 anos, foi baleado ontem ao sair de uma festa no bairro de Laranjal. Na noite de quinta-feira, outros dois militares também foram baleados, durante um assalto ao restaurante Carioca Prime, no Recreio dos Bandeirantes. O soldado Rafael do Ouro de Melo reagiu quando os criminosos anunciaram o roubo. Houve troca de tiros. O tenente do Exército Diogo José Carlos de Araújo, que também estava no local, foi atingido por uma bala perdida. Os dois foram hospitalizados e não correm risco de morte.

Duas comunidades com UPPs registraram tiroteios na manhã de ontem. No Morro da Paz, no Complexo da Penha, um homem ficou ferido após uma troca de tiros. Já em Copacabana, houve um intenso tiroteio, por volta das 9h, no Morro Pavão-Pavãozinho. Não há notícias de feridos.

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