RIO - Dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram como 2017 foi difícil no Rio. O estado fechou o ano com 6.731 casos de mortes violentas, um recorde negativo de 40 registros a cada 100 mil habitantes. O número só é menor se comparado a 2009, quando foram assassinadas 7.106 pessoas. Houve ainda aumento expressivo nos roubos de carros e cargas. Por outro lado, os roubos de rua, praticados normalmente contra pedestres, apresentaram leve redução, com 1.400 casos, 1,1% a menos, em relação ao ano passado.
Os registros de letalidade violenta — somatório de homicídios dolosos, decorrentes de intervenção policial (os chamados autos de resistência), latrocínios (roubo seguido de morte) e lesão corporal seguida de morte — tiveram aumento de 7,4%: foram 6.731 assassinatos em 2017, contra 6.262, no ano anterior. Os homicídios dolosos, por exemplo, subiram 5,7%, de 5.042 em 2016 para 5.332 em 2017.
OPERAÇÃO NO JACAREZINHO
O delegado Fábio Monteiro, morto a tiros no Jacarezinho na semana passada, já entrou para a estatística de 2018. Nesta quinta-feira, uma megaoperação com o auxílio das tropas federais foi realizada na favela para tentar achar o assassino do policial. Cerca de três mil militares participaram da ação, que pode ter vazado, segundo o delegado Marcus Amim, da Divisão de Homicídios de Niterói. Ao todo, 15 pessoas foram presas e cinco adolescentes apreendidos. Munição, dinheiro e drogas também foram recolhidos. Carros e motos recuperados.
Os autos de resistência foram os responsáveis por puxar para cima o indicador de homicídios no ano passado: houve aumento de 21,5% em um ano. O número só é menor se comparado os meses de dezembro. No último mês de 2017 foram computados 83 casos, 25 a menos que no mesmo período do ano anterior.
Em relação a todos os roubos no estado, foram 230.450, uma alta de 10,4%. Em 2017, ocorreram 54.367 roubos de veículos, seis a cada hora, uma alta de 30,4% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, os roubos de rua caíram 8,3%.
Já os caminhoneiros foram vítimas de criminosos 10.599 vezes no ano passado, a maior marca desde 2003, que teve 4.073 registros do tipo. Segundo a Firjan, o prejuízo foi de R$ 607 milhões no estado. Para o ex-chefe do Estado Maior, coronel Robson Rodrigues, a criminalidade teve êxito devido à falta de capacidade de reação das polícias:
— O impacto financeiro fez com que as polícias perdessem a capacidade de resposta, sem contar com a falta de liderança, que desmotiva e desestimula o policial.
As apreensões de fuzis, um dos maiores problemas do Rio, afirmam especialistas, registraram a maior marca desde 2007: foram 499 apreendidos, 130 a mais em relação ao ano de 2016. A apreensão de armas em geral, porém, registrou queda de 3,3%.
— O aumento no número de apreensões significa que a quantidade de armas em poder de bandidos cresceu. O crime está fora de controle, e o poder do traficante acaba sendo superior ao da polícia, que está sucateada — diz o presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, José Ricardo Bandeira.



