RIO - Se as escolas que desfilam na Marquês de Sapucaí enfrentam problemas de caixa com o corte de 50% da subvenção da prefeitura, a situação financeira das 61 agremiações que se apresentam na Estrada Intendente Magalhães, em Campinhos, ainda é mais dramática. A cem dias do carnaval, elas não sabem se vão receber ajuda do município.
Caso acerte o patrocínio de R$ 10 milhões com a Uber, a prefeitura pretende destinar R$ 3,5 milhões para a festa na Intendente. A oferta da empresa de transporte, no entanto, continua em análise pelo setor jurídico da Riotur. Mesmo que saiam esses recursos, eles não serão suficientes. Segundo o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba da Série B (Liesb), Gustavo Barros, o total da subvenção para as 40 escolas das séries B, C e D foi de R$ 4,1 milhões no último carnaval. As agremiações da Série E, que também desfilam na Intendente, não recebem ajuda do governo.
A prefeitura precisa ainda arcar com os custos da infraestrutura, como carros de som, arquibancada móvel e banheiros químicos, por exemplo. Isso representa mais um gasto de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões. Mas, como esse aperto no caixa, a Riotur não publicou até agora o edital para contratar a empresa que vai organizar os desfiles, o que, em anos anteriores, segundo Gustavo Barros, ocorria sempre até outubro:
— A Riotur sempre nos ajudou. Já nos garantiu que terá carnaval e com estrutura, mas ainda estamos aguardando. Nosso carnaval é popular, do povo, sem cobrança de ingresso. Uma escola da Série D que hoje recebe R$ 40 mil, se tiver 50% de corte, não terá condições de fazer carnaval.
Mesmo sem certeza sobre a subvenção, a Liesb liberou uma carta de crédito — operação comum no carnaval, para retirar material com fornecedores com a garantia de que, no futuro, o valor será honrado — para as agremiações. Os valores foram de R$ 70 mil, R$ 50 mil e R$ 20 mil.
Thiago Ribeiro, um dos carnavalescos da Lins Imperial, escola da Série B que levará o enredo “Zicartola” para a Intendente, diz que já começa a pensar numa possível redução do desfile, planejado com uma alegoria, dois tripés e 17 alas:
— Repensar o carnaval agora seria muito ruim. Mas, na Intendente, vendemos o almoço para comprar o jantar.



