RIO — O prefeito Marcelo Crivella disse nesta segunda-feira que a solução para acabar com tantas mortes por balas perdidas durante operações policiais em comunidades cariocas é usar drones para filmar e vigiar as ações dentro das favelas.
— É realmente a razão pela qual eu viajei durante o Carnaval, para que as operações, há mais de 1.500 por ano, possam ter monitoramento por drones. Porque isso dá uma visão do teatro de operações. E estes tiroteios com fuzil em comunidades carentes são terríveis — declarou.
Segundo Crivella, a prefeitura já está tomando providências para ajudar a família do menino Benjamim, de 1 ano e 7 meses, morto com tiro na cabeça numa operação no Complexo do Alemão na sexta-feira. O prefeito, no entanto, não deu datalhes sobre como será a ajuda.
Além da dor da perda do filho de apenas 1 ano e 7 meses, vítima de uma bala disparada no fogo cruzado entre PMs e criminosos no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, o gesseiro Fábio Antônio da Silva, de 38 anos, ainda enfrentou o drama não ter o dinheiro para fazer o sepultamento do menino Benjamin. O pai, que está desempregado desde 2015 e vem vivendo de pequenos trabalhos como autônomo, contou com uma rede de solidariedade que se formou após a morte da criança. Um pessoa pagou o enterro. A compra da coroa de flores foi rateada durante o velório por um grupo de amigos de infância. Outras pessoas também ofereceram ajuda ao tomar conhecimento do drama da família.
— A prefeitura tem todos seus instrumentos sociais, vamos procurá-los e ajudá-los. A prefeitura já deve ter procurado eles. O Pedro Fernandes (Secretário de Assistência Social) já deve ter procurado pela família para prestar todo auxílio. Mas isso são efeitos. As causas é nós precisamos tratar com inteligência. Acredito que não é mais armamento não, mas inteligência. Vamos vencer a guerra contra o crime não é nos armando com mais soldados, mais fuzis e munição, porque esta guerra se dá no meio da população, é com inteligência —afirmou.
Para o prefeito, filmar as operações trará mais segurança para os dois lados: tanto para a população, quanto para os policiais envolvidos na ação.
— Eles (os drones) vão voar a uma altura em que fiquem livre de tiros de fuzil e vão em tempo real mostrar todo o movimento dentro da comunidade. O Exército acabou de usar um quando entrou na Vila Kennedy, com sucesso. É isso que a população do Rio precisa. Quando as pessoas sabem que estão sendo filmadas, elas agem de maneira diferente. As duas partes do conflito. Isso é fundamental. Ninguém suporta mais ver criança morrendo em conflitos da polícia com o tráfico — disse Crivella
A declaração do prefeito foi feita durante participação no seminário “Todos pela Habitação”, no auditório do GLOBO.



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