Início Rio de Janeiro PMs que mais se envolveram em autos de resistência devem fazer programa para reduzir letalidade, diz secretário de Segurança do Rio
Rio de Janeiro

PMs que mais se envolveram em autos de resistência devem fazer programa para reduzir letalidade, diz secretário de Segurança do Rio

RIO - O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, determinou que o comandante-geral, Wolney Dias, acompanhasse o histórico do grupo de PMs que mais se envolveram em autos de resistência nos últimos anos, inscrevendo-os no programa de capacitação para a redução de letalidade, criado pela pasta. No último domingo, O GLOBO publicou que apenas 20 policiais militares fluminenses _ a maioria atuando na Zona Norte, na Baixada Fluminense e na Grande Niterói _ tinham envolvimento em mais de 10% deste tipo de registro, entre 2010 e 2015. Neste período, o grupo teve participação em 356 casos. A declaração de Sá foi feita após sua participação na abertura do Seminário Ilegal, e daí?, realizado pelo jornal O GLOBO, em parceira com o Extra, Valor Econômico e revista Época.

Segundo o secretário, a própria instituição foi quem fez o estudo até 2015, no qual foi detectada a concentração de autos de resistência com a atuação do mesmo grupo de PMs. Como resultado, a secretaria de Segurança criou o programa de capacitação de redução da letalidade, que vem sendo aperfeiçoado a cada ano. Para ele, os policiais citados na reportagem do GLOBO já fizeram o curso de reciclagem. Mesmo assim, eles voltarão aos bancos escolares.

- O programa consiste numa semana de treinamento de tiro e de emprego tático com armamento. É mostrado quando o agente pode evitar atirar ou não. Este curso tem mudado a cabeça dos policiais, pois eles vivenciam cada situação. Mesmo assim, determinei que o comandante-geral da PM acompanhasse o desempenho dos policiais que mais atiraram, inclusive nos casos mais recentes. O nosso foco é a redução da letalidade, preocupação com a vida. O monitoramento deve ser permanente - disse o secretário.

Sá afirmou que "não admite, nem tolera, número excessivo de autos de resistência no estado", delito catalogado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) como "homicídios decorrentes de oposição à intervenção policiais".

- De forma alguma toleramos este índice excessivo de autos de resistência, mas temos que lembrar o ambiente em que os policiais militares trabalham. Geralmente, é um grupo reduzido de PMs, conhecido como Gat (Grupamento de Apoio Tático), que conhece bem as áreas conflagradas cobertas por seus batalhões, e vai onde os traficantes se encontram. Infelizmente, eles são recebidos a tiros e precisam se defender. A maioria dos autos de resistência são nessas circunstâncias. Um exemplo disso é a região patrulhada pelo 41º BPM (Irajá), onde fica os morros do Chapadão e Pedreira, em Costa Barros. Não podemos nos esquecer ainda que temos mais de 120 policiais militares mortos só este ano, além de um número alarmante de apreensão de fuzis. Já ultrapassou os dados do ano passado inteiro. Em 2016, foram 371 fuzis apreendidos, enquanto de janeiro a novembro deste ano, já passamos de 400 - justificou o secretário.

Em defesa dos policiais, Sá enfatizou que todos os autos de resistência são investigados pela Polícia Civil, passando ainda pelo Ministério Público e pelo Judiciário:

- Todas as ocorrências passam pela avaliação de delegados, promotores e juízes. A Divisão de Homicídios tem um setor exclusivo para apurar os homicídios. Temos vários filtros para julgar a legalidade do ato, se ele foi excessivo, ou não - explicou.

A crise financeira também foi apontada por Sá como uma dificuldade para se ampliar o número de policiais no programa de capacitação para a redução de letalidade. Segundo ele, diariamente, a PM perde sete policiais com aposentadorias, licenças e mortes, o que se reflete na diminuição de homens nas ruas. Uma solução seria o trabalho dos policiais nas folgas, mas não há recursos para pagar o Regime Adicional de Serviço (RAS).

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?