RIO — A sala de espera vazia, em plena segunda-feira, não deixa dúvida: há algo de errado na UPA de Madureira, que costuma receber 400 pacientes por dia. O atendimento ficou restrito ontem devido aos estoques baixos de medicamentos e insumos. Além disso, os profissionais de saúde estão com o salário de agosto atrasado. Um protesto na manhã de ontem em frente à unidade reuniu doentes e funcionários.
— Não estamos atendendo a todos, como sempre fizemos. Faltam medicações importantes. A população não tem culpa. As pessoas pagam impostos e, quando precisam, acabam sendo encaminhadas para outras unidades. Mas não podemos fazer mais do que já estamos fazendo — disse a técnica de enfermagem Edinita de Oliveira.
A auxiliar de escritório Ana Cláudia Pereira, de 42 anos, saiu cedo do trabalho ontem para levar o filho de 1 ano e 8 meses com febre à UPA, mas a médica lhe disse que não poderia fazer o atendimento:
— Cheguei aqui e me mandaram procurar a UPA de Marechal Hermes. É revoltante. Estamos desamparados.
A organização social (OS) Iabas, que administra a UPA, informou que não recebeu da prefeitura os repasses integrais referentes aos meses de agosto e setembro e que, por isso, faltam medicamentos e os salários estão atrasados.

