Início Rio de Janeiro ‘Não acredito na existência de crime perfeito’, diz promotor
Rio de Janeiro

‘Não acredito na existência de crime perfeito’, diz promotor

Três meses após a execução da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, qual balanço o senhor faz das investigações?

Dentro dos recursos disponíveis, considero que os avanços na investigação são grandes, com reais possibilidades de identificação e prisão dos executores e mandantes.

É o crime mais complicado desde a criação da Divisão de Homicídios (DH), se compararmos ao assassinato da juíza Patrícia Acioli e ao desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza? Qual a principal dificuldade?

Trabalho com a DH há 17 anos, conhecendo bem o inquérito que culminou com a prisão dos autores do homicídio da juíza Patrícia Acioli. Ofereci denúncia no caso do pedreiro Amarildo e no da engenheira Patrícia Amieiro, morta por PMs na Barra da Tijuca. Sendo assim, posso afirmar que a morte de Marielle é sem dúvida o crime de solução mais complicada. A falta de informações e a conclusão sobre a real motivação do crime são as principais dificuldades.

Já está descartada, definitivamente, a existência de um segundo veículo na emboscada à parlamentar?

Nenhuma hipótese foi descartada, todas são objeto de investigação.

O tiro pode ter sido um recado para o deputado Marcelo Freixo (PSOL), por conta de seu trabalho na CPI das Milícias?

Nenhuma hipótese pode ou será descartada.

Para identificar a arma usada, a polícia tomou como base o som da rajada que as testemunhas ouviram. Este tipo de resultado é válido como prova pericial?

A identificação da arma utilizada é importante para se chegar ao autor da execução. Foi perfeitamente válida como prova pericial, até porque feita de maneira incontestável.

Há sinais de que o assassino agiu de maneira profissional, daí o fato de haver poucas pistas. Existe crime perfeito?

Não acredito na existência do crime perfeito, pode demorar, mas o autores não ficaram impunes.

Há crimes sem solução nas investigações envolvendo a DH, como o homicídio de Marcos Vieira de Souza, o Falcon, ex-presidente da Portela. Por que esse caso, e outros, não foram elucidados? Quais são as principais dificuldades da especializada?

Os crimes não estão sem solução, continuam sendo investigados, não foram arquivados. A DH passa pelas mesmas dificuldades materiais de todas as outras delegacias de nosso Estado e conta com o excepcional empenho de todos os policiais ali lotados.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?