Uma mulher de 23 anos foi presa temporariamente pela suspeita de dar suporte financeiro e logístico para Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, principal suspeito no caso do desaparecimento de duas primas de 18 anos no interior do Paraná. A prisão aconteceu em Paraguaçu Paulista, no oeste de São Paulo, próxima à divisa com o Paraná, na sexta-feira, 15, mas foi divulgada pela polícia paranaense somente na tarde desta segunda-feira, 18. As defesas de Clayton e da mulher não foram localizadas.
As primas Sttela Dalva Melegari Almeida e Letycia Garcia Mendes foram vistas pelas última vez em uma casa noturna de Paranavaí, no noroeste do Paraná, na madrugada de 21 de abril, junto com o suspeito, que está foragido. Além da prisão da mulher, que é ex-companheira de Clayton, os policiais civis cumpriram buscas em três endereços na cidade paulista. Um celular foi apreendido e passa por perícia.
"A medida cautelar contra a suspeita, ex-convivente do investigado, foi representada pela Polícia Civil do Paraná e deferida pelo Poder Judiciário diante indícios de que ela estaria prestando auxílio ao foragido", afirmou o delegado responsável pelo caso, Luís Fernando Alves Silva, de Cianorte, no noroeste do Paraná. Segundo ele, a investigação apontou que Clayton estava usando contas bancárias que estão no nome da mulher.
Conhecido pelos apelidos de "Dog Dog" e "Sagaz", Clayton teve mandado de prisão temporária expedido pela Justiça há três semanas e é considerado foragido. A principal linha de investigação da Polícia Civil é de duplo homicídio. O último contato das jovens com as famílias ocorreu no fim da noite de 20 de abril, mas, na madrugada do dia 21, imagens de câmeras de segurança de uma boate registraram as garotas no local com Clayton.
No boletim de ocorrência, as mães relataram que as filhas disseram que iriam para uma festa em Maringá. Depois da festa, as garotas tinham a intenção de viajar até Porto Rico, às margens do Rio Paraná. Clayton, que conhecia Letycia, buscou as primas, moradoras de Cianorte e Jussara, cidades vizinhas no interior do Estado. Elas viajaram com o homem em uma caminhonete preta.
"Após esse momento (da casa noturna), não houve mais qualquer contato efetivo das jovens com familiares ou amigos, tampouco novos registros confirmados de localização", explicou a polícia. Os investigadores tentam descobrir para onde eles foram após a festa. "A investigação segue em caráter prioritário e sigiloso, sendo que novas informações serão divulgadas oportunamente, sem prejuízo das diligências em andamento", informou.
Suspeito tem condenações
O suspeito de envolvimento no desaparecimento das primas tem uma ficha criminal que inclui condenações por crimes como tráfico de drogas e roubo agravado, além de dezenas de passagens pela polícia desde a adolescência. Ele é foragido tanto pelo desaparecimento das jovens quanto pela condenação por roubo.
Clayton teve cerca de 20 passagens pela polícia quando ainda era adolescente. Depois da maioridade, seguiu acumulando registros policiais. "Ele é uma daquelas figurinhas carimbadas da polícia. Sempre envolvido em algum delito", conta Zoroastro Nery do Prado Filho, delegado de Mandaguari, também no interior do Paraná.
Em 2008, Clayton foi preso em uma operação da Polícia Civil contra o tráfico de drogas batizada de Chaves. "Ele, a esposa, um tio e uma tia foram presos nessa operação. Prendemos 28 pessoas no total. Ele chegou a cumprir sete anos na prisão por esse caso", relembra o delegado.
O envolvimento dele rendeu uma condenação de 18 anos, oito meses e 15 dias de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo, posse ilegal de arma de fogo e desobediência. Até recentemente, ele cumpria a pena em regime aberto. Porém, pediu mudança de endereço sem justificar o pedido. Uma audiência foi marcada neste ano e ele não compareceu.
Em 2022, Clayton se envolveu em outro episódio que lhe rendeu uma condenação criminal em Apucarana, também no Paraná. Por esse caso, ele também é considerado foragido. O processo está em segredo de Justiça.
O Estadão apurou que ele e dois comparsas teriam roubado a casa de um ex-prefeito de Cambira, cidade entre Mandaguari e Apucarana. Ele não apresentou defesa e foi julgado à revelia. Os criminosos, armados, teriam arrombado uma janela da casa com uma marreta e mantido um casal refém, além de fugir levando diversos objetos, como joias e TV, e dois carros da família.
Outros dez registros de ocorrências aos quais a reportagem teve acesso mostram que, em ao menos duas oportunidades, Clayton teve armas apreendidas pela polícia. Em 2017, quando ainda estava preso, ele foi acusado por meio do disque-denúncia de estar portando celular na cadeia, vendendo drogas e planejando uma fuga. Durante as buscas, os policiais chegaram a encontrar celulares e chip na cela, mas nenhum detento assumiu a autoria. No mesmo ano, ele foi pego com um celular na prisão.




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