RIO - Moradores do Leme suspeitam que os bandidos que invadiram os morros da Babilônia e do Chapéu Mangueira, há uma semana, usaram acessos pelo Teatro Villa-Lobos e por uma vila residencial, que ficam na Avenida Princesa Isabel. No entanto, câmeras de segurança instaladas na vizinhança não flagraram qualquer movimentação da quadrilha, que teria saído do Pavão-Pavãozinho. Policiais civis já requisitaram as imagens.
- Não encontramos nada naquela noite da invasão. Mesmo assim precisamos de ajuda. Sinto falta da presença do poder público - lamenta Fátima Iusten, que mora há 20 anos na vila. - Bandidos já usaram a vila como rota. Por isso, instalamos as câmeras. Quatro delas monitoram o teatro, cujo estado de abandono chega a dar pena. Pagamos nossos impostos, mas não temos voz nem vez.
De acordo com Fátima, a situação só piora no local:
- Aqui em frente, numa pracinha na Princesa Isabel, tem uma cracolândia. Quando eu ligo para o 190, eu não acredito quando o atendente diz que nada pode fazer e me orienta a ligar para o 1746 (). Criamos três filhos que já estão formados e vão embora para São Paulo e para Minas Gerais porque aqui não dá mais.
A moradora conta que a vila já foi invadida por criminosos e até pela polícia para acessar a Babilônia. Há cerca de um ano, bandidos obrigaram uma moradora a cozinhar para eles. Já o teatro, que fica ao lado, é administrado pelo governo estadual e está fechado desde 2011.
O Condomínio Real Residence Hotel, que também fica na Princesa Isabel, aumentou o muro, que fica nos fundos junto à mata, perto da favela. No último dia 25, dois homens pularam para o estacionamento do apart-hotel, mas a polícia foi chamada e eles fugiram.

