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Médica baleda no Complexo da Maré quer deixar o Rio

Rio — “Deus colocou a mão e protegeu”. Para a dona de casa Rita de Cássia Moura de Souza, de 50 anos, esta é a única explicação para a filha Klayne Moura Teixeira de Souza, de 28 anos, ter escapado com vida após ser baleada na manhã de quarta-feira no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. Ela conta que a filha, residente em medicina no Hospital Miguel Couto, no Leblon, passa bem fisicamente, mas está traumatizada e não consegue esquecer os momentos de terror que viveu na favela.

— Ela é uma pessoa de muita fé em Deus, somos de uma família católica, de muita fé, e na hora ela acreditou. Tenho certeza de que foi Deus quem protegeu minha filha. Tenho outros dois filhos médicos, trabalhando em vários cantos do país, só mesmo tendo muita fé e com muita oração ! — desabafou a mãe.

Segundo Rita de Cássia, a filha entrou por engano na comunidade após ser guiada pelo aplicativo Google Maps, e ficou "apavorada" ao ver os traficantes armados na entrada da favela. Inicialmente, foi divulgada informação de que a médica faziar serviços comunitários numa ONG da comunidade, mas a mãe nega.

— Ela tinha ido ao Detran fazer a transferência de um carro que nós compramos para ela aqui no Ceará, estava marcado para 11h. Mas ela se perdeu — esclarece — Passado o susto, minha filha está tentando se recurperar do trauma. Não queremos mais que ela fique aí no Rio, nem ela quer mais. Ainda não sabemos para onde ela vai, mas no Rio não é mais possível. Depois do que aconteceu, ela está com medo e nós também— acrescentou a mãe.

A médica foi baleada no ombro e levada para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul do Rio, mas já recebeu alta e está em casa. Os pais de Klayne vivem em Brejo Santo, no Ceará, na região do Cariri, cidade onde a médica cresceu. Ela está no Rio há 2 anos. Um dos irmãos de Klayne, que também é médico e mora em Juiz de Fora, veio para o Rio ficar com a irmã. Ela tem um outro irmão médico vivendo em Fortaleza.

Em entrevista ao EXTRA, Klayne afirmou que os próprios traficantes a socorreram e que ela pediu para não ser morta.

— Eu fiquei com medo, fiquei apavorada. Pedi muito para que não me matassem. Eram muitos homens armados. Muitos mesmo. Eu me assustei quando vi e acelerei. Meu carro foi atingido por muitos disparos. Foi quando vi um homem batendo na janela e pedindo para abaixar o vidro. Fiquei com medo e não abaixei. Quando saí, já estava baleada. Ele viu que eu era mulher e disse que não ia fazer nada. Eu me identifiquei como médica, e eles disseram que precisavam me tirar dali porque a facção rival poderia me encontrar e me matar. Me levaram de moto para a ONG onde me ajudaram. Os funcionários da ONG foram maravilhosos comigo — disse Klayne.

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