RIO - A quantidade de leitos sem uso hoje nos hospitais do município equivale à capacidade uma unidade de saúde de grande porte. O Ministério Público estadual levantou que, neste mês, há 341 vagas indisponíveis aos pacientes que precisam de internação, seja devido a obras, falta de insumos e até mesmo de cama. O Souza Aguiar, no Centro, tem oficialmente 368 leitos, mas 45 estão impedidos. Desses, 24 por causa de reformas. Os números, como adiantou ontem o “RJ-TV1”, da TV Globo, se referem a nove unidades da prefeitura. Um dos reflexos da falta leitos pode ser visto na superlotação das emergências.
Ainda de acordo com o MP, parte das emergências opera hoje acima do limite. O Souza Aguiar é um exemplo desse caos: anteontem, a taxa de ocupação chegava a 243,3%. Na sala amarela destinada aos adultos, o percentual atingia 327,8% — embora haja 18 leitos, o total de atendidos era de 59.
No Salgado Filho, o número de pacientes na emergência também era mais que o dobro da capacidade: uma taxa de 227,6%. A ocupação era de 66 doentes para 29 leitos.
— Uma emergência deve funcionar, no máximo, com 90% da sua capacidade. Essas unidades estão totalmente fora do padrão: no Souza Aguiar, se você absorve cem pacientes, você tem outros 143 sendo atendidos sem as condições mínimas necessárias — afirma o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), Sylvio Provenzano.
No Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, onde funcionários estão em greve por causa do atraso dos repasses para a organização social (OS), que administra a unidade, 60% das vagas para internação — são 269 leitos no total — não estão disponíveis.
— A prefeitura deveria cobrar maior desempenho das OSs e criar condições para que esses hospitais funcionem na sua plenitude — diz Jorge Darze, presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam).
A Secretaria municipal de Saúde afirmou, em nota, que a prefeitura vem implementando ações de ajustes “para adequar seus serviços ao poder de gasto da administração municipal, que diminuiu com a crise financeira e com a baixa arrecadação”. Sobre os leitos impedidos, respondeu apenas sobre o Souza Aguiar, dizendo que as vagas ficam em setores em obras e que a direção da unidade trabalha para liberá-las “o mais breve possível”.

