Início Rio de Janeiro Governo do Rio terá 36 meses para quitar dívida contraída com banco
Rio de Janeiro

Governo do Rio terá 36 meses para quitar dívida contraída com banco

RIO - O edital para a escolha da instituição financeira que vai emprestar R$ 2,9 bilhões ao estado prevê que a dívida seja integralmente paga em 36 meses após a assinatura do contrato. O valor pode ser quitado antes com parte dos recursos da privatização da Cedae. A quantia será emprestada ao governo em três modalidades de crédito.

Do total, R$ 1 bilhão será cotado em dólares, e R$ 1 bilhão, em moeda nacional. A instituição bancária que vencer a licitação terá ainda 60 dias para liberar o saldo restante de R$ 900 milhões. O estado vai escolher a instituição que apresentar mais vantagens, como menores juros e taxa de administração.

- As três melhores ofertas participarão de uma disputa final para escolhermos a proposta mais vantajosa - explicou o secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa.

O governo ainda terá um longo caminho para reequilibrar suas contas, admite o secretário. Caso não tivesse aderido ao Regime de Recuperação Fiscal da União, o estado não teria como captar recursos no mercado financeiro. De acordo com as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o governo só pode contrair empréstimos até o valor correspondente ao dobro de suas receitas.

Balanço do último quadrimestre, divulgado nesta segunda-feira no Diário Oficial, mostra que esse percentual estava em 238,52%, em agosto, já acima do limite legal. Um dos motivos foi a queda da receita nos últimos 12 meses porque, no período anterior, o estado contou com uma verba extra de R$ 2,9 bilhões repassada pela União às vésperas da Olimpíada.

Os recursos minimizaram os problemas de caixa durante o evento, mas foram insuficientes para garantir que as contas entrassem em equilíbrio de novo.

Outro complicador é que a queda da receita fez o estado estourar os limites da despesa com pessoal. Atualmente, 71,4% da arrecadação são destinados ao pagamento do funcionalismo, enquanto o percentual máximo previsto pela LRF é de 60%.

Como as despesas superaram em muito o percentual fixado em lei, o estado sequer pode promover concursos públicos para repor servidores que se aposentaram nos últimos anos.

- Esses dados retratam a situação pré-falimentar que o Rio atravessa. Não é por outro motivo que ele seja talvez o único estado que reúna as condições requeridas para se credenciar para o programa de recuperação (da União). A situação do estado é de tal gravidade que, se não recebesse um apoio de peso da União, as contas explodiriam em pouco tempo - disse o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas.

Raul Veloso, no entanto, criticou a demora para uma solução que atenda ao Rio:

- Não entendo o motivo da morosidade da União para permitir o empréstimo. Será que ainda não se deram conta da gravidade da situação?

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?