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RIO, 22 (AG) - A Secretaria estadual de Saúde informou nesta segunda-feira que subiu para sete o número de mortes provocadas pela febre amarela este ano em território fluminense. No entanto, a quantidade de óbitos causados pela doença pode ser maior, já que, na conta oficial do governo, não está incluído um caso confirmado pela Secretaria municipal de Valença. Ou seja, o número já chega a oito neste primeiro mês de 2018. Ao longo de todo o ano passado, foram contabilizadas nove mortes no estado.

No total, o Rio contabiliza 15 casos de febre amarela. Nove foram diagnosticados em Valença, que tem duas mortes confirmadas pelo estado e uma pela prefeitura. Teresópolis soma três notificações, sendo duas mortes; e Miguel Pereira, um caso que resultou em óbito. A sétima vítima fatal da doença vivia em Nova Friburgo. Uma pessoa que contraiu a doença em Petrópolis estava hospitalizada na capital, mas já teve alta.

A situação do Estado do Rio é preocupante, segundo o epidemiologista Edimilson Migowski, professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e presidente do Instituto Vital Brazil. Ele destaca que alguns municípios fluminenses já enfrentam uma epidemia, que não se caracteriza pelo número absoluto de casos, mas, sim, pela série histórica de registros da doença:

- Não me lembro de outro mês de janeiro com tantas mortes por febre amarela. Essa é uma doença de baixa incidência. A vacina está disponível nos postos de saúde desde abril de 2017, faz parte da rotina de imunização das unidades municipais, mas muitas pessoas não receberam as doses. É muito importante que a população se vacine, para que a febre amarela não chegue às áreas urbanas.

Em Valença, o clima é de apreensão. A secretária municipal de Saúde, Soraia Furtado da Graça, informa que a cidade já soma 117 notificações. Segundo ela, exames realizados em unidades médicas locais - ainda não confirmados pelo estado - diagnosticaram 13 casos de febre amarela. Vinte e um testes deram resultado negativo, e os laudos de 83 ainda não ficaram prontos.

- Vivemos, sim, uma epidemia. Fizemos um mutirão de vacinação, e imunizamos, em nove dias, aproximadamente 34 mil pessoas, inclusive de municípios vizinhos. Mas continuamos atrás daquelas que ainda não receberam doses - afirma Soraia.

A Secretaria estadual de Saúde antecipou para quinta-feira o início da campanha de aplicação de doses fracionadas em 15 cidades nas quais a cobertura vacinal é considerada baixa: além do município do Rio, fazem parte da lista Belford Roxo, Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti e Seropédica. Seringas especiais já estão à disposição das prefeituras. A campanha se estenderá até 9 de fevereiro.

No município do Rio, a campanha com doses fracionadas será realizada em 244 centros de saúde e clínicas da família. Continuará havendo distribuição de senhas. Apenas no sábado, Dia D da vacinação em todo o território nacional, haverá imunização para todos que comparecerem aos postos no horário das 8h às 17h.

O HemoRio decidiu fazer parte dos esforços de vacinação em massa, e, de quebra, viu uma oportunidade de aumentar seus estoques de sangue para o período de carnaval. Até sábado, doadores que procurarem a instituição, na Rua Frei Caneca 8, no Centro, poderão ser imunizados. A Secretaria estadual de Saúde disponibiliza 400 doses por dia para o HemoRio.

Nesta segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou que a campanha contra a febre amarela no Brasil pode limitar a disseminação da doença, mas, ao mesmo tempo, apontou que o país precisa vencer os "desafios logísticos" de um processo de vacinação em massa.

Em um boletim, a entidade também afirmou que a grande quantidade de pessoas ainda não imunizadas que moram em áreas com ecossistema favorável à transmissão do vírus "representa um risco elevado para a mudança no padrão atual de transmissão".

Atualmente, circula no Brasil a versão silvestre do vírus da febre amarela, transmitida pelos mosquitos e . Autoridades se preocupam com a possibilidade de o , que infesta cidades do país, também acabem se tornando transmissores.

"Espera-se que a decisão das autoridades brasileiras de realizar uma campanha de vacinação em massa contra a febre amarela, incluindo a dose padrão (0,5ml) e a fracionada (0,1ml), possa efetivamente limitar a transmissão da febre amarela", destacou a OMS.

Também nesta segunda-feira, foi enterrada em Água Quente, distrito rural de Teresópolis, a mais recente vítima da doença no estado. Trata-se do lavrador Darci da Cruz, de 64 anos, que estava internado desde o último dia 12 no Instituto Nacional de Infectologia (INI) Evandro Chagas, no Rio.

- Os médicos falaram que o fígado dele estava comprometido e que os rins tinham parado de funcionar. Ele chegou a fazer um transplante, mas não resistiu - lamentou Rodrigo Almeida, um dos três filhos de Darci.

Segundo Rodrigo, em 2017, toda a família tomou vacina contra a febre amarela, menos Darci, por causa da idade:

- No posto de saúde, disseram que ele só poderia tomar com recomendação médica. O problema é que não havia médico lá.

Enquanto aumenta a quantidade de casos de febre amarela no estado, macacos - que não são transmissores - viram vítimas não só da doença, mas da população. A Vigilância Sanitária do município do Rio já recolheu 26 primatas mortos somente este mês (em janeiro do ano passado, o órgão removeu apenas sete). De acordo com especialistas, dos 18 já examinados, dez tinham marcas de agressões ou envenenamento.

Os restos mortais dos animais foi remetido à Fiocruz, e, até esta segunda-feira, não foi confirmado nenhum caso de febre amarela em macacos na capital do estado. Alguns resultados, como o de um recolhido no Cosme Velho e dois encontrados em Campo Grande, ainda não ficaram prontos.

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