RIO - Eu lembro da carta, mas não tenho certeza absoluta se cheguei a responder naquele momento. Quando assumi a secretaria deixei aberto o email e o twitter para criar um canal de comunicação com os alunos. Eu recebia cerca de 400 emails por dia, e respondia uma média de cem.
Mas lembro que me emocionei com a carta de Larisse. Era uma aluna da Escola Ceará. Lembro de ter mostrado a carta para minha equipe. Como educadores, lutamos para que os alunos se sintam protagonistas de sua vida escolar. E ela superou a minha expectativa, porque ela não lutou só pela vida escolar dela, mas por este direito para todos os jovens.
E era isto que pretendíamos fazer com o projeto Ginásio Carioca, uma inovação voltada aos alunos do segundo segmento, do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A metodologia teve como objetivo melhorar o desempenho escolar dos estudantes e combater a defasagem idade-série, através de três eixos: excelência acadêmica, apoio ao projeto de vida do aluno e educação para valores. O projeto trouxe uma plataforma de aulas digitais de cada disciplina, desenvolvida junto com os alunos, com material de suporte, planos de aula, jogos pedagógicos e vídeos. Para isto, os novos professores concursados da rede passaram a trabalhar em turnos de 40 horas e, progressivamente, os atuais.
Se não me engano, esta jovem conseguiu uma bolsa de estudo para chegar à faculdade. O ideal seria que não precisasse, que pudesse, estudando em escola pública, ter as mesmas oportunidades de alunos da rede privada. E é para isto que trabalhamos.
A carta escrita há seis anos, permanece atual e sua divulgação agora é muito positiva. Para gente construir uma sociedade mais justa, é importante que a educação seja de qualidade para todos, inclusive, e especialmente, para os que vivem em meio de vulnerabilidade. A carta dela defende este direito e fico feliz que tenha sido divulgada.
Eu espero uma pronta recuperação para ela. Gostaria de encontrá-la, se fosse possível.



