RIO Felipe Silva de Souza, de 34 anos, que há cinco trabalhava vendendo pães em São Gonçalo foi morto com um tiro no peito no fim da tarde de quarta-feira. Ele estava atendendo fregueses na porta de casa, por volta das 17h, quando começou um tiroteio na rua. Felipe ainda tentou correr com seu tabuleiro até uma padaria, mas acabou atingido pelo disparo — a bala perfurou seu coração. O vendedor foi a terceira vítima de bala perdida no estado em menos de 48 horas. Na tarde desta quinta-feira, cerca de 300 amigos e parentes enterraram o corpo de Denilson de Souza Moraes, de 16 anos, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque. O jovem não resistiu a um tiro, na terça-feira, enquanto trabalhava num ferro-velho, no Complexo do Chapadão.
Felipe foi enterrado na tarde desta quinta-feira no Cemitério do Maruí, em Niterói. Moradores da comunidade Campo Novo, onde ele vivia com a mulher e a filha de 2 anos, fizeram um protesto na noite de quarta-feira e na manhã desta quinta-feira. Segundo testemunhas, policiais da 75ª DP (Rio do Ouro) realizavam uma operação de combate ao tráfico na localidade de Risca Faca no momento em que o vendedor, conhecido como Dylon do Pão, foi atingido.
O pai dele, o taxista Jeferson Paula de Souza, de 56 anos, criticou a ação da polícia no bairro e chorou ao afirmar que o crime deixou sua família “em pânico”.
— Uma bala só matou o meu filho. Foi um tiro no coração. Ele deixou mulher, tinha uma filhinha. Deixou a gente na revolta. A mãe dele está em casa, praticamente desmaiada. É um desespero perder um filho. Nunca pensei que perderia meu filho assim. Não é o filho do prefeito, do governador. É mais uma vitima que vai embora trabalhando. Sempre lutou com dificuldade para ter o que tem, e agora morre assim, deixando todo mundo em pânico em casa. Isso é o que acontece na comunidade. A polícia não chega para prender, chega para achacar bandido. Se não acha o que quer, troca tiro e acontece isso aí — disse o taxista em entrevista ao “RJ TV”, da Rede Globo.
De acordo com a Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, investigadores já apreenderam os fuzis usados na operação e recolheram o projétil que atingiu Felipe para confronto balístico. Os policiais que participaram da incursão à comunidade Campo Novo foram chamados para prestar depoimentos sobre o caso.
A viúva do vendedor, Juliana Ribeiro Januário, de 30 anos, disse que o marido era trabalhador:
— Acordava todo dia às 4h para trabalhar. Ele mandou uma mensagem para mim pouco antes de morrer, avisando que estava tendo tiroteio na comunidade. Minha filha de 2 anos está no hospital com dor no peito.
Em nota, a Polícia Militar informou que o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas prendeu, anteontem, duas pessoas que tentavam incendiar um ônibus na Estrada Velha de Maricá, em represália à morte de Felipe.




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