A Mangueira, mesmo com autorização para captar recursos via Lei Rouanet para um desfile sobre Hélio Oiticica, corre o risco de ter que mudar de tema. A indefinição do patrocinador preocupa a verde e rosa, que levantou a possibilidade de apresentar o enredo sobre o artista plástico após empresas interessadas procurarem a escola. A certeza se haverá a homenagem a Oiticica depende agora de conversar com esses parceiros.
O presidente da agremiação, Chiquinho da Mangueira, afirma que a escola deverá buscar outro enredo se não houver novidade dentro de uma semana.
— Eles (os parceiros) nos procuraram e apresentaram a proposta do enredo, que nos interessa muito pelo lado cultural, mas, infelizmente, a negociação já vem se arrastando há mais de três meses. Essa aprovação no Ministério da Cultura foi em função também de uma carta de intenção do patrocínio. Eles só patrocinariam por meio da Lei Rouanet. Vamos esperar mais uma semana e, se eles não se manifestarem, vamos buscar outro caminho — lamenta.
De acordo com o sistema de acompanhamento dos projetos da lei de fomento, a agremiação poderá captar até R$ 7,2 milhões — quase a totalidade dos R$ 7,4 milhões solicitados, como antecipou a coluna de Berenice Seara, em maio, no “Extra”.
Para o carnavalesco Leandro Vieira, o legado de Oiticica possibilitará uma “ruptura estética” na Avenida:
— A Mangueira este ano ficou a três décimos das campeãs. Acho que cada décimo correspondeu a R$ 1 milhão em investimento. Para mim é importante ter um enredo com suporte financeiro. E o melhor de tudo é que esse enredo vai diretamente ao que eu penso sobre carnaval: um desfile que não é entretenimento. Oiticica é um ícone das artes plásticas brasileiras.



